Siderurgia chinesa enfrenta queda nos lucros e pressão de impostos climáticos europeus

O setor de aço na China, motor fundamental da economia global, atravessa um momento de turbulência no início de 2026. De acordo com dados recentes, as principais usinas do país registraram uma retração significativa em sua lucratividade, pressionadas por uma combinação de custos operacionais elevados e novas exigências ambientais internacionais.

A situação acende um alerta para o mercado de commodities, uma vez que a China é a maior produtora mundial de aço. O cenário atual reflete não apenas questões internas de demanda, mas também o impacto direto de tensões geopolíticas e mudanças na legislação climática da Europa, que começam a pesar no bolso dos exportadores asiáticos.

Desempenho financeiro da siderurgia sob pressão global

Os lucros consolidados das gigantes do setor no primeiro trimestre de 2026 apresentaram uma queda de 5,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O montante total somou 21,7 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 3,2 bilhões), o que reduziu a margem de lucro das empresas para apenas 1,46%.

Apesar da queda nos ganhos líquidos, a receita das principais siderúrgicas teve uma leve alta de 1,2%, atingindo 1,49 trilhão de yuans. Esses dados foram divulgados pela Associação Chinesa de Ferro e Aço (CISA), evidenciando que, embora o volume de negócios continue alto, a rentabilidade está sendo severamente corroída.

Conflitos internacionais e alta nas matérias-primas

Um dos principais vilões para o resultado negativo foi o aumento nos custos de produção. O secretário-geral da CISA, Jiang Wei, destacou que os conflitos no Oriente Médio impactaram diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de frete e mineração.

Os custos operacionais subiram 1,5% no período. Mesmo com estoques recordes nos portos, os preços do minério de ferro importado mantiveram-se elevados, oscilando entre US$ 105 e US$ 110 por tonelada. Além disso, insumos essenciais como o carvão metalúrgico e o coque registraram altas de 6,4% e 4,2%, respectivamente, no mês de março.

Crise de demanda interna e estoques acumulados

Internamente, o mercado chinês não tem oferecido o suporte necessário para sustentar os preços. O consumo aparente de aço bruto no país caiu 4,4% no primeiro trimestre, totalizando 220 milhões de toneladas. Essa retração na demanda doméstica forçou uma queda de 4,39% nos preços internos do aço.

Com a baixa procura, os produtos não vendidos estão se acumulando nos pátios das fábricas. Os estoques das principais siderúrgicas saltaram 17% desde o início do ano, criando um descompasso perigoso em relação aos preços internacionais, que subiram cerca de 7% no mesmo intervalo.

Barreiras ambientais e o desafio do imposto europeu

No horizonte internacional, o maior desafio atende pelo nome de CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira). A nova política da União Europeia, que entrou em vigor integralmente este ano, é vista por autoridades chinesas como discriminatória e punitiva para os exportadores do país.

A UE estabeleceu um valor padrão de emissão para o aço chinês que é quase o dobro das emissões reais registradas na China. Segundo Wang Bin, vice-secretário-geral da associação, o impacto financeiro deve se agravar em 2028, quando o imposto será expandido para máquinas e autopeças, podendo gerar encargos de 1,42 bilhão de euros para as empresas chinesas.

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