SindiUVA divulga nota de repúdioàs à fala do reitor da UVA

Não! Não estamos há 7 meses sem trabalhar!

O magnífico reitor da UVA afirmou em reunião do CEPE, realizada no dia 16 de outubro, para aprovar o Plano de Retomada Gradual das Atividades Letivas da UVA, que nós, professores e professoras desta universidade, estávamos todo esse tempo sem trabalhar. Não é possível que o dirigente maior desta instituição desconheça que o trabalho de um professor universitário vai muito além de “dar aulas”. Mas, como parece que o óbvio ainda precisa ser dito, iniciamos este texto lembrando que universidade é ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, e estivemos trabalhando nas outras frentes, sem falar nas questões administrativas, que também consomem muito do nosso esforço.

O fato é que o plano de retomada foi aprovado e precisamos, urgentemente, rediscutir e melhorar alguns pontos. Antes de mais nada, é preciso ficar claro que a SINDIUVA não se coloca contra o retorno das atividades letivas remotamente. Aceitamos voltar quando a previsão de retorno era para o dia 14 de setembro e aceitamos voltar agora. Além disso, durante todo esse período, estivemos abertos ao diálogo propositivo com todas as instâncias da gestão da UVA, bem como com os estudantes, porque é nisso que acreditamos, no diálogo.

Entretanto, as decisões foram arrastadas e tomadas de maneira apressada e arbitrária e o plano proposto apresenta ajustes a serem discutidos. Não podemos aceitar dar continuidade ao semestre sem algumas garantias:

  • Que os alunos que não puderem acompanhar de forma remota as atividades do semestre 2020.1, tenham a possibilidade de fazê-lo, sem prejuízos, quando retornarmos às aulas no modo presencial.
  • Que teremos uma determinação clara da carga horária a ser cumprida pelos professores, de modo que não haja sobrecarga de trabalho, uma vez que o modelo remoto ainda é algo novo e desafiador para a maioria de nós. As 40 horas de trabalho que devemos cumprir serão calculadas como? Será que é possível continuar com a mesma contabilização de horas das disciplinas, tanto para professores como para alunos? Isso seria produtivo? Eficiente?
  • Que teremos 30 dias de férias, de maneira especificada e clara, uma vez que além de um direito, é também um descanso merecido a uma classe que trabalha tanto e é tão pouco reconhecida. Ou será que, em 16 de outubro, já foram esquecidas todas as felicitações que recebemos em alusão ao dia dos professores? Queremos ver essa consideração na prática!

Outra reflexão que precisamos fazer é a seguinte, vamos mesmo começar o semestre 2020.2 em março de 2021? O mundo todo foi surpreendido com uma pandemia, uma catástrofe histórica e inesperada. Não há a menor possibilidade de tentarmos “correr atrás do tempo perdido”, apertando o calendário, diminuindo os dias letivos, os recessos, e, consequentemente, a qualidade das nossas aulas. Acreditamos que não temos como compensar esse tempo, então, que comecemos o semestre 2021.1! Infelizmente, um semestre de nossas vidas foi dedicado, exclusivamente, à preservação de nossas vidas, e não há como recuperá-lo.

Por fim, gostaríamos de solicitar da gestão, mais empenho na localização dos estudantes que não têm acesso à internet, que moram em zonas rurais afastadas. Precisamos tentar conversar com eles, ouvi-los. E vale tudo, telefonema, rádio, carta, sinal de fumaça… Entretanto, essa comunicação precisa ser INSTITUCIONAL, e não delegada apenas às coordenações.

Esperamos que toda comunidade acadêmica se junte a nós nesse pedido de revisão desse Plano Gradual de Retomada das Atividades, de modo a garantir que todos e todas possam ter seus direitos garantidos e suas vozes ouvidas.

Diretoria da SINDIUVA

19 de Outubro de 2020.

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