Tim Cook deixa comando da Apple após 15 anos; relembre a trajetória do CEO
Tim Cook se despede do cargo de CEO da Apple nesta terça-feira (1), após quase 15 anos na posição. Ele segue na companhia como presidente executivo do conselho de administração. John Ternus, então vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assume como CEO.
Cook ingressou na empresa em 1998, recrutado pelo cofundador Steve Jobs. Ele assumiu como CEO em agosto de 2011, quando Jobs deixou o cargo por problemas de saúde.
A saída foi anunciada em abril, junto da sucessão de Ternus.
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Na segunda-feira (31), Cook se despediu dos funcionários em uma carta. “É um momento que sempre soube que chegaria um dia, e ainda assim é difícil acreditar que chegou”, escreveu. Ele destacou o sucesso colaborativo de sua gestão, que, segundo ele, nenhum relatório consegue retratar.
O ex-CEO ainda endossou seu sucessor. “Poucas pessoas entendem o que é preciso para criar produtos capazes de mudar o mundo da maneira como John entende, e eu não poderia estar mais entusiasmado com a liderança dele”, afirmou.
O início de Tim Cook na Apple
Cook trabalhava na Compaq, uma fabricante americana de computadores, quando foi recrutado por Steve Jobs para assumir o cargo de vice-presidente sênior de operações mundiais da Apple, em 1998. Na época, sua função era administrar a cadeia de suprimentos da empresa, após uma quase falência na década de 90.
A passagem do executivo pelo cargo redefiniu a forma como a Apple trabalha até hoje. Ele fechou fábricas, reduziu estoques e terceirizou a produção de componentes para empresas parceiras.
Em 2005, Tim Cook assumiu como diretor de operações (COO) e virou braço direito de Steve Jobs. Ele era responsável por todas as vendas e operações globais da empresa.
A promoção para CEO veio em agosto de 2011, quando Jobs deixou o cargo após o agravamento de um câncer no pâncreas, que tratava desde 2004. Em carta, o cofundador afirmou que não conseguia mais cumprir suas obrigações e expectativas como CEO, e indicou Cook como sucessor.
“Como plano de sucessão, recomendo fortemente que sigamos com nosso plano e nomeemos Tim Cook como CEO da Apple”, escreveu na época.
Antes disso, Cook já havia assumido o comando da Apple interinamente durante licenças médicas de Jobs. O cofundador faleceu cerca de dois meses após a renúncia.
Transição de comando
O foco de Cook ao assumir o comando da Apple era seguir o legado de Steve Jobs.
O início foi turbulento. Nos primeiros meses, quando a empresa não lançou nenhum produto novo, relatos de más condições de trabalho na fábrica da Foxconn, parceira da Apple, dividiram opiniões sobre as expectativas para a gestão de Cook. Mesmo assim, as vendas continuaram fortes.
Os primeiros anos ficaram marcados pela expansão na linha de produtos, com novas versões do iPhone e do iPad. Nos anos seguintes, vieram as inovações, como o Apple Watch, de 2015, e os AirPods, de 2016.
O executivo também apostou em serviços. Durante sua gestão, a gigante de tecnologia lançou o sistema de pagamentos Apple Pay, o serviço de nuvem Cloud, o streaming de vídeo Apple TV+ e o streaming de música Apple Music, entre outras ferramentas por assinatura.
Cook, conhecido por seu perfil estratégico e mais contido que Jobs, seguiu enfatizando a efetividade operacional. Mais recentemente, em 2020, a empresa investiu no desenvolvimento de chips de silício próprios para equipar os computadores Mac, garantindo mais independência no disputado setor de semicondutores.
Para Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, a transição foi cercada de desconfiança. “Existia a suspeita de que a empresa poderia perder a aura de inovação sem ele [Steve Jobs]. Alguns até diziam que o sucesso estava relacionado a uma espécie de roadmap que Jobs teria deixado e que, depois disso, poderia se esgotar”, afirmou.
Não foi o que aconteceu. Igreja defende que Cook provou que a Apple existe para além de Jobs. Além disso, levou a empresa a outro patamar, potencializando não só o sucesso do iPhone, mas também as categorias de serviços e aplicativos.
Resultados financeiros recorde
A gestão também foi marcada por avaliações recorde:
Em 2018, a Apple se tornou uma das primeiras empresas a atingir um valor de mercado de US$ 1 trilhão;
Desde 2020, vem registrando lucros recorde e se tornou a primeira empresa de capital aberto a passar dos US$ 3 trilhões em valor de mercado;
Em 2025, a companhia chegou a atingir os US$ 4 trilhões, mas depois retrocedeu.
Com 15 anos de gestão, Tim Cook se tornou o CEO mais longevo da Apple.
O sucessor de Tim Cook
John Ternus assume como CEO da Apple nesta terça-feira.
Engenheiro mecânico de formação, Ternus ingressou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos, com foco nos computadores Macintosh. Em 2013, virou vice-presidente de engenharia de hardware, expandindo sua atuação para além dos Mac.
O executivo assumiu a divisão de engenheria de hardware do iPhone em 2020. Em 2021, se tornou vice-presidente sênior de engenharia de hardware, junto com a nomeação para a equipe executiva da companhia. Ele comandava a engenharia de hardware de todos os produtos da Apple e se reportava diretamente a Cook.
Fonte:CNN Brasil

