Campus do Pici ganha jardim agroflorestal da UFC para integrar ensino e pesquisa

A Universidade Federal do Ceará (UFC) deu um passo significativo em direção à sustentabilidade e à educação ambiental com a recente inauguração de um jardim agroflorestal em seu Campus do Pici, em Fortaleza. Este projeto pioneiro visa integrar ensino, pesquisa e extensão, oferecendo um espaço dinâmico para o desenvolvimento de práticas ecológicas. A cerimônia simbólica de lançamento incluiu o plantio de mudas e a formalização de uma importante parceria com a Fundação Cultural Educacional em Defesa do Meio Ambiente (Cepema), marcando o início de uma iniciativa promissora para a comunidade e o meio ambiente.

O Jardim Agroflorestal: Um Novo Espaço para a Sustentabilidade Urbana

Localizado no Campus do Pici Prof. Prisco Bezerra, o novo jardim agroflorestal da UFC é um modelo de diversidade e funcionalidade. A área foi cuidadosamente dividida em três módulos distintos: um jardim, uma horta e uma agrofloresta. O jardim abrigará uma variedade de flores ornamentais e comestíveis, além de plantas medicinais, enquanto a horta será dedicada ao cultivo de hortaliças frescas. O módulo de agrofloresta, por sua vez, combinará o cultivo de alimentos com o plantio estratégico de árvores, criando um ecossistema equilibrado.

Lamartine Oliveira, coordenador de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (SMA) da UFC, destaca o caráter inovador do projeto. “O grande diferencial desse espaço em relação aos demais existentes por aí é que, no geral, eles são espaços voltados para uma única cultura, como plantas medicinais ou hortaliças. Aqui não. Por isso tem esse nome: agrofloresta. É o agro misturado com floresta em pequenos espaços”, explica. A iniciativa busca servir como um modelo replicável, demonstrando que é possível ter sistemas agroflorestais diversos mesmo em ambientes urbanos, como varandas e quintais, atendendo tanto a demandas pessoais quanto comunitárias.

Laboratório Vivo e Conexão Comunitária

O reitor da UFC, Custódio Almeida, enfatiza que o jardim agroflorestal transcende a função de um simples espaço verde, atuando como um verdadeiro laboratório ao ar livre. “As pessoas podem se sentir convidadas a vir aqui plantar e, oportunamente, colher. É um projeto agroflorestal em que a universidade se coloca como um laboratório vivo”, afirma. A proposta é que cursos como os das Ciências Agrárias e de Biologia, especialmente os ligados à Ecologia, se integrem ao projeto como parte de suas atividades de extensão, sob a coordenação da Secretaria de Meio Ambiente e com o apoio de parcerias externas.

A participação ativa da comunidade é um pilar central do projeto. O reitor reforça o convite para que tanto membros da comunidade universitária quanto o público externo se envolvam. “Você tira uma horinha, vai ali, planta alguma muda, uma sementinha, fica um pouco debaixo da árvore, entendeu? É de fato algo para a gente envolver cada vez mais a comunidade e os estudantes, com a referência da Secretaria de Meio Ambiente”, complementa Almeida, ressaltando o valor da interação direta com a natureza e o aprendizado prático.

Da Ideia ao Impacto: Contribuição para Cidades Resilientes

A concepção do jardim agroflorestal teve suas raízes nas oficinas do Plano Diretor de Fortaleza, aprovado em dezembro passado. A secretária da SMA-UFC, Aliny Abreu, revela que a secretaria promoveu encontros participativos com especialistas da UFC e integrantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), buscando a contribuição da universidade em temas cruciais, como o das áreas verdes urbanas.

Este espaço inovador permite que a UFC una a experiência valiosa de agricultores parceiros, que há muito tempo aplicam a agroecologia em seus territórios, com o conhecimento científico dos pesquisadores. “Permite integrar esses conhecimentos aos dos pesquisadores, para que a gente possa, então, ter parâmetros mais robustos, mais consistentes e que possam servir de vitrine”, avalia Aliny Abreu. A expectativa é que o projeto inspire o poder público e tomadores de decisão a replicar essas soluções em outras áreas da cidade, contribuindo para tornar Fortaleza, um grande centro urbano, mais resiliente. A secretária também destaca a importância de tais iniciativas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, promovendo ecossistemas complexos que melhoram o microclima urbano.

A Força da Parceria com a Fundação Cepema

A concretização e o sucesso do jardim agroflorestal da UFC serão impulsionados por uma colaboração estratégica com a Fundação Cultural Educacional em Defesa do Meio Ambiente (Cepema). Com uma trajetória de 36 anos dedicada à extensão rural em agroecologia, trabalhando diretamente com agricultores e agricultoras familiares, a Cepema traz uma riqueza de conhecimento prático para a parceria.

Adalberto Alencar, diretor-presidente da Fundação Cepema no Ceará, expressa o entusiasmo com a união de saberes. “Nós iremos unir esses saberes aos conhecimentos da ciência e da tecnologia da universidade. Então, o objetivo bem concreto é trazer alunos, professores, agricultores urbanos e rurais, desenvolver pesquisa, ensino e extensão, e ampliar isso para territórios fora da universidade”, afirma Alencar. Esta sinergia entre o saber popular e a academia promete gerar soluções inovadoras e aplicáveis para o desenvolvimento sustentável. Para mais informações sobre a UFC, visite ufc.br.

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