Uso de canetas emagrecedoras sem orientação médica pode levar à UTI, alerta nutróloga Karla Raissa

A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil acendeu um sinal de alerta entre profissionais de saúde. Impulsionado por redes sociais e pela promessa de resultados rápidos, o uso desses medicamentos tem crescido de forma significativa — muitas vezes sem prescrição médica ou acompanhamento adequado.

O tema ganha destaque no Jornal Alerta Geral, em entrevista da médica nutróloga Carla Raissa ao jornalista Luzenor de Oliveira. Segundo a especialista, o uso indiscriminado das substâncias já resultou em casos graves, incluindo internações por pancreatite, hipoglicemia severa e desidratação intensa.

PACIENTES NA UTI

“Temos visto pacientes chegando a quadros gravíssimos, alguns em UTI, por uso sem acompanhamento. Muitas dessas medicações são adquiridas de forma irregular, sem garantia de procedência ou conservação adequada”, afirmou Karla.

A médica explicou que complicações como pancreatite podem evoluir rapidamente e exigir hospitalização, hidratação venosa e, em situações mais graves, até intervenção cirúrgica. “Há pacientes que não conseguem sequer ingerir água. A desidratação pode levar à falência múltipla de órgãos”, alertou.

REMÉDIO COM ORIGEM DUVIDOSA

Outro ponto de preocupação envolve medicamentos falsificados ou importados irregularmente. Carla Raissa destacou que parte dos produtos vendidos ilegalmente pode conter substâncias diferentes das indicadas na embalagem. “Já houve relatos de frascos com insulina no lugar do princípio ativo original, o que pode provocar hipoglicemia grave e até risco de morte”, disse.

Ao ser questionada sobre a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de investigar possíveis casos de óbitos associados ao uso dessas medicações, Karla Raissa defendeu a fiscalização como necessária, mas alertou que a maior parte das complicações ocorre em pacientes que utilizam produtos sem orientação médica. “Quando há acompanhamento, o profissional monitora exames e sintomas, ajusta doses e identifica precocemente qualquer reação adversa”, ressaltou.

MOTIVAÇÃO ESTÉTICA

No consultório, a médica observa uma predominância do uso por motivação estética. “Cerca de 80% dos pacientes que me procuram não têm indicação clínica formal. Apenas 20% realmente apresentam obesidade, pré-diabetes ou condições metabólicas que justificam o tratamento”, explicou.

Karla Raissa reforçou que o medicamento pode ser uma ferramenta eficaz quando bem indicado, mas não substitui hábitos saudáveis. “A base continua sendo alimentação equilibrada e atividade física. A dose não é receita de bolo e precisa ser individualizada’’, observa.

Fonte: Ceará Agora