Valor de fusões e aquisições no Ceará sobe 25% e chega a R$ 689 milhões
Empresas do Ceará negociaram cerca de R$ 689 milhões em operações de fusão e aquisição no primeiro semestre de 2026. A cifra é 25% superior diante dos R$ 549,6 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Apesar do aumento no valor dos investimentos, houve queda de 40% no número de transações. Foram seis contra 10, no mesmo intervalo de 2025. Os dados são de pesquisa realizada pela KPMG com base em 43 setores da economia brasileira.
Com relação aos setores envolvidos nas operações, foram os seguintes: tecnologia, mídia e telecomunicação com duas transações cada e imobiliário, mineração, energia e consumo, todos com uma operação.
Para o coordenador do estudo, Paulo Guilherme Coimbra, o resultado visto no Ceará demonstra que os investidores estão “mais seletivos e estratégicos” e buscam transações de “maior porte e com disciplina na alocação de capital”.
Em declaração enviada ao Diário do Nordeste, o profissional ainda apontou que esse não é um movimento exclusivo do Estado, mas uma tendência nacional.
“As maiores operações do semestre demonstram a continuidade do interesse de investidores por ativos estratégicos em setores considerados fundamentais para a economia, como mineração, serviços financeiros e energia”, complementou.
A KPMG também listou a incerteza fiscal em ano eleitoral, juros restritivos, alongamento dos ciclos de negociação e a dificuldade externa como possíveis motivos por trás da redução do número de operações.
QUAIS OS IMPACTOS PARA AS EMPRESAS?
Fusões e aquisições permitem que uma empresa acelere o crescimento, ganhe participação de mercado e possua diversificação nos produtos. No entanto, como todo investimento, há riscos a serem analisados com cautela.
A queda nas transações em 2026 apresentou, segundo Paulo Coimbra, uma série de desafios para empresas, dentre eles os choques culturais, uma vez que muitos investimentos vieram do exterior, e a descoberta de passivos ocultos, como dívidas trabalhistas e fiscais.
O coordenador também destacou o crescimento de uma modalidade conhecida como “desinvestimentos”, em que as companhias vendem ou repassam ativos, unidades de negócios, participações acionárias ou bens.
Para ele, esse movimento é motivado pela geração de caixa a partir da venda de operações não estratégicas, com foco em reestruturação financeira e eficiência.
Pelo lado dos possíveis ganhos, o estudo da KPMG identifica o posicionamento competitivo em setores fragmentados; a captura de sinergias; a revisão de portfólio e ganho de escala diante de competidores como quatro motivações positivas por trás das transações do semestre.
Embora o Ceará represente apenas 0,3% do montante adquirido em todo o Brasil (R$ 195 bilhões), o crescimento percentual no Estado em 2026 ficou acima do patamar nacional, que foi de 22%, em relação a 2025.
CRESCIMENTO NO SETOR DE MINERAÇÃO
As operações em mineração foram os grandes destaques no semestre inicial de 2026. No Nordeste, o segmento movimentou R$ 28,5 bilhões entre janeiro e junho de 2026, montante 6,4% superior ao mesmo período de 2025, com o número de transações passando de duas para três.
O presidente da Academia Cearense de Economia, Celio Fernando Melo, explica que os dados indicam duas coisas quanto às escolhas do mercado brasileiro e cearense no setor.
“Primeiro, o interesse das empresas está voltado a minerais críticos e terras raras, e não a arbitragem financeira. Segundo, essa escolha é justificada pelo baixo custo de produção e menor risco geopolítico”, avalia.
Entretanto, conforme o economista, o relatório não responde se esse capital virá acompanhado de agregação de valor local para o Nordeste “ou se consolidará apenas a posição exportadora de matéria-prima”.
PROJEÇÃO PARA O RESTANTE DO ANO
Com base nos resultados apresentados pelo estudo da KPMG, o mercado brasileiro deve continuar marcado pela seletividade e pela otimização do uso de capital.
Isso vai ao encontro da análise de Paulo Coimbra, que aposta em investidores movidos por ativos estratégicos, sem grandes riscos.
A pesquisa também projeta que empresas poderão intensificar a venda de ativos por meio de “desinvestimentos”, buscando gerar liquidez, reduzir dívidas e concentrar recursos em áreas prioritárias.
Já o economista Célio Fernando vê um cenário mais positivo quanto à apreensão das companhias sobre os juros. Ele destaca que as taxas acumulam queda de 1,25 ponto percentual desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de calibração.
“O alívio monetário é real, porém gradual demais para destravar volume de transações ainda em 2026. O cenário provável é o que o próprio semestre desenhou, número contido de operações e valor concentrado em poucos negócios de grande porte”, opina.
QUAIS EMPRESAS FIZERAM MOVIMENTOS DO GÊNERO NO CE
Embora o estudo da KPMG não cite diretamente as empresas envolvidas nas operações, o Diário do Nordeste apurou alguns negócios fechados na primeira metade deste ano.
A Eneva vendeu 100% da Pecém II Geração de Energia para a Diamante Geração de Energia. Valor divulgado – R$ 686 milhões;
A Victoria Mining Corporation comprou uma participação de 50% na Pedreira Taj Mahal, em Uruoca (Ceará). Valor divulgado – R$ 3 milhões.
O BTG Pactual assinou acordo para adquirir uma participação de 48% na MeuTudo. Sem valores divulgados;
A Goldman Sachs Asset Management realizou a venda integral de sua participação de 10%, enquanto a DOMO.VC efetuou o desinvestimento parcial, permanecendo como acionista minoritária. Valores confidenciais;
O Grupo Zaaz, subsidiária do Grupo Werthein, adquiriu o portfólio de clientes da Online Telecom. Sem valores divulgados.
Fonte:Diário do Nordeste

