Vendas no varejo do Brasil recuam 0,8% em julho, diz IBGE

As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,8% em julho na comparação com o mês anterior e subiram 1,2% sobre um ano antes, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (5).

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vieram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de retorno de 0,2% na comparação mensal e de alta de 2,15% na base anual.

A retração mensal no volume de vendas em julho foi apenas a segunda neste ano, depois da queda de 1,1% em abril.

No segundo trimestre, de acordo com dados do PIB divulgados no início do mês, o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%.

A economia brasileira deve continuar mostrando sinais de enfraquecimento no segundo semestre, na visão de analistas, em meio a uma política monetária restritiva e apesar da força no mercado de trabalho e de medidas de estímulo ao consumo, bem como do enfraquecimento da inflação.

A Selic está atualmente em 14,0%, o que dificulta o crédito. O Banco Central voltou a decidir sobre a taxa básica de juros na quarta-feira, com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, alertou que a queda nas vendas se deu apesar de julho ter sido um período benigno do ponto de vista macroeconômico, com destaque para a forte deflação de alimentos no mês (-0,67%).

Ele citou ainda efeitos sazonais como o inverno e o recuo nos preços dos combustíveis (-1,44%) como fatores positivos para o comércio.

“A queda observada em julho gera preocupação para o desempenho do setor prospectivamente”, disse Pizzani.

“Uma vez dissipados efeitos estes, é pouco provável que as condições orgânicas de oferta e demanda do período atual sejam suficientes para reverter o quadro atual do comércio, que pode seguir com desempenho abaixo do esperado nas próximas proximidades e influência de maneira negativa o PIB do período.”

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo , cinco foram retraídas antes de junho –Móveis e eletrodomésticos (-4,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), Tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%).

Apresentaram resultados positivos Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (0,6%) e Combustíveis e finanças (0,3%).

“O resultado reforça a leitura de que os indicadores de atividade no início do terceiro trimestre seguem mais fracos na margem e consistentes com um cenário de desaceleração gradual da economia”, avaliou Leonardo Costa, economista da ASA.

“A composição da pesquisa mostra enfraquecimento em categorias mais ligadas ao consumo discricionário, enquanto segmentos apoiados pela demanda mais resiliente continuam sustentando parte da atividade.”

No comércio varejista ampliado, que inclui atividades de veículos, motos, peças e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve alta de 0,4% nas vendas em julho sobre o mês anterior.

Fonte:CNN Brasil