Violência contra mulher: SP registra 504 ocorrências e 39 prisões por dia

As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de São Paulo registraram, em média, 504 boletins de ocorrência e 39 prisões em flagrante por dia em 2025. No mesmo período, as unidades especializadas solicitaram à Justiça 95.798 medidas protetivas de urgência para mulheres vítimas de violência, uma média de 262 pedidos por dia, ou quase 11 a cada hora.

Os números foram obtidos pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a partir de dados oficiais da Polícia Civil.

O levantamento considera os registros de 2025 e de janeiro a agosto de 2026 e foi realizado pelo sindicato para embasar a defesa de mais recursos humanos e estruturais para as DDMs.

Em todo o ano passado, as delegacias especializadas registraram 183.904 boletins de ocorrência, o equivalente a cerca de 20 registros por hora. Também foram instaurados 120.733 inquéritos policiais.

As prisões em flagrante chegaram a 14.255 em 2025, uma média de 39 por dia ou 1,6 por hora.

Medidas protetivas
Outro dado que chama atenção é o volume de medidas protetivas solicitadas à Justiça. Em 2025, foram 95.798 pedidos, uma média de 262 por dia.

Entre janeiro e agosto de 2026, as DDMs já solicitaram outras 36.702 medidas protetivas. No acumulado dos dois períodos, são 132.500 medidas protetivas de urgência.

Mais de 300 mil boletins em 20 meses
Considerando 2025 e os oito primeiros meses de 2026, as DDMs paulistas registraram 301.916 boletins de ocorrência e instauraram 198.049 inquéritos policiais.

As prisões em flagrante chegaram a 17.137 no período. Também foram contabilizadas 1.623 prisões cautelares e 419 prisões classificadas como “demais prisões”.

Somente entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 118.012 boletins de ocorrência e instaurados 77.316 inquéritos. No mesmo intervalo, houve 2.882 prisões em flagrante, 548 prisões cautelares e 122 classificadas como demais prisões.

Estrutura das DDMs
Até agosto de 2026, São Paulo tinha 144 Delegacias de Defesa da Mulher físicas, segundo os dados apresentados pelo Sindpesp. Dessas, 20 funcionavam em regime ininterrupto. O estado também contava com 235 salas 24 horas de atendimento virtual.

Para a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, os números mostram a dimensão do trabalho realizado pelas unidades e a procura das mulheres pelos serviços especializados.

Os números são impressionantes e provam a importância da Polícia Judiciária para a sociedade, e, em especial, às mulheres, ainda mais diante da escalada de crimes como o feminicídio. As DDMs não somente oferecem acolhimento às vítimas como garantem respostas firmes contra os criminosos. Portanto, é preciso valorizar cada vez mais os profissionais que trabalham nessas unidades, com dedicação e coragem e, muitas vezes, em situações adversas afirmou.

O sindicato também questiona propostas de ampliação do funcionamento das DDMs para 24 horas sem que, segundo a entidade, sejam apresentadas soluções para a falta de efetivo e de estrutura.

Jacqueline Valadares defende que a expansão do atendimento seja acompanhada de investimentos em pessoal e condições de trabalho.

“Consideramos importante medidas que venham para somar na luta contra a violência doméstica e familiar, mas não basta abrir delegacias 24h, e de forma açodada. É preciso que haja condições para que o atendimento seja, de fato, prestado com a qualidade e o acolhimento necessários às vítimas, e com condições dignas de trabalho aos policiais civis”, disse.

O levantamento foi elaborado pelo Sindpesp com base em informações solicitadas à Polícia Civil de São Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação.

 

 

 

 

Fonte:CNN Brasil