Voto por rejeição impulsiona cenário eleitoral: pesquisa Nexus/BTG detalha disputa presidencial
Uma nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (10), lança luz sobre a complexa dinâmica do eleitorado brasileiro, revelando que o voto por rejeição desempenha um papel crucial na formação do cenário político. Os dados apontam um empate técnico na corrida presidencial, com nuances que explicam a atual configuração da disputa.
A análise detalhada da pesquisa mostra que a decisão de quase um quarto do eleitorado é motivada pela aversão a um dos candidatos, e não necessariamente pelo apoio incondicional ao outro. Essa tendência redefine as estratégias de campanha e a percepção dos eleitores sobre os postulantes ao cargo máximo do país.
Empate técnico e a força do voto por rejeição
No cenário de um possível segundo turno, a pesquisa Nexus/BTG indica um empate técnico entre os candidatos. Os números mostram que um dos concorrentes alcança 47% das intenções de voto, enquanto o outro registra 44%, evidenciando uma disputa acirrada e sem margem para grandes distanciamentos.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, em entrevista ao Hora H, destacou a importância do voto por rejeição. Segundo ele, uma parcela significativa de 7% a 8% do eleitorado, embora desaprove a atual gestão, opta por votar em um dos candidatos para evitar a vitória do adversário.
Essa dinâmica, conforme Tokarski, permite que um dos candidatos lidere as simulações mesmo com uma taxa de reprovação superior à de aprovação. O eleitorado, em muitos casos, se vê diante da escolha do que considera o “candidato menos pior”, uma tendência observada em oito das nove rodadas da pesquisa desde março.
Aprovação governamental e o dilema do eleitor
A pesquisa também revelou uma oscilação negativa na taxa de aprovação do governo. Atualmente, 46% dos brasileiros aprovam a gestão, enquanto 49% a reprovam, indicando um desequilíbrio na percepção pública. Acesse aqui para mais detalhes sobre a aprovação do governo.
Apesar da reprovação, a rejeição ao adversário se torna um fator determinante. Cerca de 23% do eleitorado declara que votaria em um dos candidatos não por considerá-lo a melhor opção, mas sim com o objetivo explícito de derrotar o outro, reforçando a polarização e a estratégia do voto útil.
Potencial de voto e a batalha da rejeição
Ao analisar o potencial de voto, 50% dos eleitores admitem a possibilidade de votar em um dos candidatos, enquanto o outro registra 46%. Essa diferença, ainda que pequena, é considerada crucial para a sustentação da liderança nas simulações de segundo turno.
A rejeição aos dois principais nomes da disputa está praticamente equiparada: um dos candidatos registra 50% de rejeição, e o outro, 48%. Tokarski explica que, nessa “batalha de rejeição”, o candidato com maior potencial de voto consegue uma leve vantagem, mesmo com índices de desaprovação elevados.
Voto presidencial: um fenômeno personalista
A pesquisa também abordou a influência das alianças estaduais na decisão do eleitor. Tokarski avalia que o voto para presidente tende a ser mais independente e personalista, desvinculado das composições políticas regionais.
Ele exemplificou que, em estados do Nordeste, políticos de direita evitam se indispor com um dos candidatos presidenciais devido à sua alta aprovação na região (acima de 60% em muitos estados), para não prejudicar suas próprias candidaturas locais.
Adicionalmente, Tokarski citou que eleitores de um candidato presidencial em São Paulo não necessariamente transferem seu voto para o candidato a governador do mesmo partido, e vice-versa. Isso demonstra que a escolha para a presidência é, em grande parte, uma decisão individualizada.
Campanha oficial e as expectativas para o cenário eleitoral
O início oficial das campanhas, previsto para o próximo domingo (16), é um marco que pode reconfigurar o cenário eleitoral. Com a abertura do período, os candidatos terão mais liberdade para realizar ataques, participar de debates e conceder entrevistas, intensificando a disputa.
Para um dos candidatos, as restrições eleitorais vigentes desde 4 de julho impediram a inauguração de obras e a propaganda governamental. A partir do dia 16, ele poderá “reabrir a caixa de ferramentas”, retomando a divulgação de programas lançados em períodos de melhor desempenho nas pesquisas.
Apesar das incertezas inerentes ao processo eleitoral, Tokarski conclui que os dados atuais não indicam grandes surpresas, mas reforçam a forte possibilidade de um segundo turno entre os dois principais nomes da disputa.
Metodologia da pesquisa Nexus/BTG
O levantamento da Nexus ouviu 2.001 eleitores em todo o país, entre os dias 7 e 9 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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