Chefes de facção do Ceará, Felipe Pacote e Zé Caboclo, presos na Bolívia por tráfico.

Em uma ação de grande impacto no combate ao crime organizado, dois homens apontados como chefes de facção com atuação no Ceará foram presos na Bolívia. A operação, resultado de uma colaboração estratégica entre forças de segurança brasileiras e bolivianas, mirou o tráfico internacional de armas que abastecia grupos criminosos em diversas cidades cearenses. Felipe Anderson Pinho de Sousa, conhecido como “Felipe Pacote”, e Gleison Gomes de Oliveira, o “Zé Caboclo”, são os alvos dessa investida que promete desarticular importantes elos da criminalidade na região.

A Operação Conjunta e a Captura dos Chefes de Facção

A prisão dos dois líderes ocorreu em uma chácara na cidade de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, em uma ação meticulosamente planejada. Participaram da ofensiva a Polícia Civil e Militar do Ceará, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE), a Polícia Boliviana (FELCN) e a Polícia Federal do Brasil. Essa integração demonstra a complexidade e a abrangência da investigação que culminou na captura dos suspeitos.

Durante a operação, um vasto arsenal foi apreendido, incluindo 19 armas de fogo – sendo 15 fuzis –, além de pistolas, carabinas, drogas, veículos e até fardamentos policiais. A ação também resultou na prisão de dois cidadãos bolivianos, que, segundo os investigadores, mantinham ligações com um narcotraficante de atuação internacional recentemente detido. A dimensão das apreensões sublinha a capacidade logística e o poder de fogo dos grupos criminosos envolvidos.

Rota do Armamento: Abastecendo o Crime no Ceará

As investigações apontam que Felipe Pacote e Zé Caboclo eram peças-chave no esquema de abastecimento de armamentos para facções criminosas no Ceará. Os grupos atuavam tanto em bairros da capital, Fortaleza, quanto em diversos municípios do Interior Norte do estado. Cidades como Itapipoca, Sobral, Tianguá, Ibiapina, Trairi, Itapajé, Tauá, Meruoca e Guaramiranga eram os principais destinos desse fluxo ilegal de armas.

Os trabalhos de inteligência foram cruciais para identificar uma sofisticada rota de envio de armas da Bolívia diretamente para o Ceará. A partir dessas informações detalhadas, as autoridades brasileiras articularam-se diretamente com seus pares bolivianos para localizar e prender os investigados. Daniel Pinheiro Ramos, supervisor-chefe da Ficco, ressaltou a importância da colaboração internacional, afirmando que o contato foi estabelecido por intermédio da Polícia Federal.

Antecedentes Criminais e o Impacto na Segurança Regional

Os dois homens presos possuem um histórico criminal extenso, conforme informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Um dos suspeitos responde por crimes graves como homicídio, tráfico de drogas, associação criminosa e posse ilegal de arma de fogo. O outro já tem passagem por integrar organização criminosa, evidenciando o envolvimento profundo com o submundo do crime.

Marcus Aurélio, diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI-Norte), destacou em coletiva de imprensa que a prisão da dupla pode ter um impacto significativo na redução dos índices de violência na região norte do Ceará. Ele enfatizou que os criminosos se sentiam seguros em Itapipoca após cometerem homicídios na região, mas a operação provou o contrário.