Inteligência artificial redefine segurança e otimiza vigilância com câmeras ativas

A revolução da inteligência artificial (IA) está transformando diversos setores, e a segurança não é exceção. A startup Noleak, com sua inovadora solução Agatha, está na vanguarda dessa mudança, convertendo milhares de horas de vídeo de câmeras de segurança em informações úteis e acionáveis. Longe de serem meros sensores de movimento, esses novos sistemas aprendem padrões de comportamento em ambientes monitorados e emitem alertas precisos apenas quando desvios são identificados, otimizando drasticamente o trabalho dos profissionais de segurança.

inteligência: cenário e impactos

A ferramenta promete uma nova era para o monitoramento, descartando imagens irrelevantes e permitindo que um único operador acompanhe um volume muito maior de telas sem ser sobrecarregado por notificações desnecessárias. Essa abordagem proativa e inteligente representa um salto significativo em relação aos métodos tradicionais, que frequentemente resultam em fadiga humana e baixa eficácia.

Da Cibersegurança à Vigilância Inteligente

A concepção da Agatha nasceu de um questionamento fundamental de Rafael Libardi, fundador da Noleak, sobre os limites dos sistemas de segurança convencionais. Ele percebeu que a maioria das câmeras operava de forma rudimentar, gerando um excesso de alertas por qualquer movimento, o que as tornava pouco eficientes na prática.

A inspiração para a solução veio de sua experiência anterior em cibersegurança, onde atuava em um projeto das Forças Armadas de um país da América Latina. O objetivo era identificar comportamentos anômalos em redes de computadores para detectar invasões digitais. Libardi percebeu que a lógica de reconhecimento de padrões incomuns poderia ser perfeitamente adaptada para a análise de imagens de câmeras de segurança, substituindo pacotes de dados por pixels e ataques cibernéticos por comportamentos fora do padrão visual.

Superando os Limites da Atenção Humana

A principal inovação da Agatha reside em sua capacidade de aprendizado de padrões. Em vez de operar com regras fixas, a plataforma observa o ambiente por um período, estabelecendo o que é considerado normal para aquele contexto. Isso inclui desde a rotina de veículos estacionados e horários de maior movimento até as áreas de maior circulação de pessoas.

Estudos sobre vigilância por vídeo demonstram a fragilidade da atenção humana: após apenas 12 minutos de observação contínua, um operador pode perder até 45% da atividade; depois de 22 minutos, esse número sobe para 95%. Com a triagem automatizada da Noleak, que filtra mais de 99,8% das imagens irrelevantes, um profissional pode supervisionar de 1.000 a 2.000 câmeras simultaneamente, focando apenas nos trechos que realmente exigem análise e decisão.

Aplicações Versáteis Além da Segurança Patrimonial

O impacto da tecnologia da Noleak vai muito além da segurança tradicional. O crescente número de câmeras em condomínios, empresas, vias públicas e eventos, impulsionado por um setor que faturou R$ 14 bilhões em 2024 (segundo a Abese), abre portas para diversas aplicações.

A Agatha viabiliza análises forenses eficientes, reduzindo semanas de gravação a poucos minutos de eventos anômalos, como no caso de uma distribuidora de energia em Minas Gerais que enfrentava furtos. Além disso, a solução é empregada para verificar o uso correto de EPIs, detectar comportamentos que antecedem acidentes de trabalho, controlar estoques em galpões e monitorar processos industriais complexos. Em Belém (PA), uma indústria agroindustrial utiliza a IA para identificar desgastes em correntes de grande porte, e no Porto de Santos, a contagem de sacarias é feita em tempo real, eliminando erros manuais.

O Futuro da Vigilância em Cidades Inteligentes

A adaptabilidade da ferramenta é notável, com tempos de implementação que variam de menos de 24 horas para monitoramento de EPIs a meses para aplicações industriais mais complexas. Em condomínios e bairros, a IA identifica veículos de moradores e alerta sobre a presença prolongada de automóveis desconhecidos. Um caso marcante foi o alerta emitido ao detectar uma criança próxima a um portão automático, permitindo a intervenção a tempo.

A tecnologia também se integra a iniciativas de cidades inteligentes, como o Smart Sampa, em São Paulo, complementando o reconhecimento facial com análise comportamental. Rafael Libardi enfatiza que a IA atua como um filtro de precisão, reorganizando prioridades e não substituindo o olhar humano, que é crucial para a validação final. Ele também destaca a importância de uma infraestrutura adequada, com câmeras de qualidade e posicionamento correto, para maximizar a eficácia da solução. Com o apoio do PIPE (Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas) da FAPESP, a startup aprimorou seus modelos matemáticos e arquitetura de dados para escalar a inovação.

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