Delegado da Polícia Civil de Roraima enfrenta pedido de afastamento por graves condutas
O Ministério Público de Roraima (MPRR) protocolou um pedido de afastamento cautelar e suspensão do exercício das funções do delegado da Polícia Civil, Alexandre Henrique de Matos Lima, que atua como titular da Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter). As acusações que motivam a solicitação são graves e incluem abuso de autoridade, misoginia, ameaça, extorsão, injúria e intimidação, conforme documento obtido pela CNN Brasil nesta segunda-feira (06).
afastamento: cenário e impactos
A representação, aberta pela Promotoria de Justiça Militar e do Controle Externo das Atividades Policiais em 3 de julho, destaca um histórico preocupante contra o delegado. O órgão ministerial aponta que, ao longo dos anos, pelo menos 47 procedimentos disciplinares e criminais foram instaurados contra Alexandre de Matos Lima por condutas inadequadas, com especial atenção para aquelas que envolvem mulheres.
Histórico de Acusações: Duas Décadas de Condutas Impróprias
O MPRR descreve a situação como um cenário de “misoginia institucionalizada e utilização do cargo e do aparato policial como instrumento de intimidação”. A promotoria ressalta que, por cerca de duas décadas, esses procedimentos disciplinares e criminais foram “sistematicamente neutralizados pela prescrição e pela decadência, sem jamais resultar em responsabilização efetiva”. Este padrão, segundo o Ministério Público, permitiu a continuidade de comportamentos inadequados sem as devidas consequências.
A gravidade das denúncias levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de controle interno e a necessidade de uma intervenção mais rigorosa para garantir a integridade das instituições policiais. A recorrência das queixas, que abrangem desde ofensas verbais até crimes mais sérios, configura um quadro de conduta incompatível com as responsabilidades de um delegado de polícia.
Casos Emblemáticos: De Ameaças a Extorsão
Entre os diversos incidentes citados pelo Ministério Público, alguns se destacam pela natureza e repercussão. Em julho de 2025, o delegado Alexandre de Matos Lima teria estacionado seu carro particular em uma vaga reservada ao Grupo de Resposta Tática da Polícia. Ao ser questionado por uma policial feminina sobre a irregularidade, uma vez que não estava fardado, ele teria respondido em tom de deboche a outro policial: “Essa novata está pensando que está falando com quem? Ela está doida? Eu vou mandar prender essa v*g*b***da!”. A agente, segundo depoimento de um colega, entrou em estado de choque e apresentou uma representação à Corregedoria.
Outro episódio ocorreu aproximadamente onze meses depois, em um condomínio residencial. O delegado é acusado de proferir xingamentos a duas funcionárias do local. Quando as vítimas tentaram relatar o ocorrido ao síndico, Alexandre teria as ameaçado, afirmando possuir fuzis guardados dentro de seu veículo, em uma clara tentativa de intimidação. O MPRR também trouxe à tona um caso de outubro de 2015, envolvendo abuso de autoridade com ameaças e torturas a uma mulher estrangeira, e outro de 2007, no qual o delegado teria tentado extorquir um preso, exigindo R$ 10.000 para sua liberação.
Medidas Cautelares Solicitadas pelo Ministério Público
Diante da seriedade das condutas e do histórico do delegado, o Ministério Público de Roraima solicitou uma série de medidas cautelares para garantir a segurança das vítimas e a lisura do processo. As requisições incluem:
- A suspensão do porte de arma de fogo, com o recolhimento imediato de arma, munição e carteira funcional;
- O bloqueio das senhas de acesso aos sistemas eletrônicos de segurança pública e justiça;
- A proibição de acesso ou permanência nas dependências de qualquer unidade da Polícia Civil do Estado de Roraima;
- A proibição de aproximação e de contato, direto ou indireto, com as vítimas;
- O comparecimento mensal em juízo, para informar e justificar suas atividades.
Posicionamento da Polícia Civil e Próximos Passos
Em resposta às solicitações, a Polícia Civil de Roraima informou, por meio de nota oficial, que não pode divulgar detalhes sobre as representações, alegando que os procedimentos correm em sigilo. No entanto, confirmou que o porte funcional de arma de fogo do delegado Alexandre Henrique de Matos Lima já foi suspenso. A CNN Brasil, fonte original da notícia, segue tentando contato com a defesa do delegado para obter um posicionamento sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestações.
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