Busca na residência de Bolsonaro não encontra armas após divergências sobre arsenal

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. A ação, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visava localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro. No entanto, o advogado de Bolsonaro, João Henrique Freitas, confirmou que nada foi encontrado no local, reiterando que a defesa já havia informado previamente o paradeiro de todo o arsenal.

A operação ocorre em meio a um cenário de questionamentos sobre a posse de armamentos pelo ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária. A defesa de Bolsonaro expressou lamento pela continuidade de tais ações contra um ex-chefe de Estado.

Divergências sobre o arsenal de Bolsonaro motivam ação

A decisão do ministro Alexandre de Moraes para a busca e apreensão foi motivada por dados divergentes apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro sobre a localização de suas armas. Segundo Moraes, as informações conflitantes tornaram a medida “imprescindível” para assegurar que não houvesse armamentos remanescentes na residência do ex-presidente.

O ministro enfatizou que a permanência de armas de fogo em poder de Bolsonaro, após a determinação judicial de entrega integral, seria incompatível com a ordem proferida anteriormente. A busca foi, portanto, direcionada exclusivamente à localização e apreensão de eventuais armamentos não declarados ou não entregues.

O paradeiro das armas: versões da defesa e do Exército

A controvérsia em torno das armas de Bolsonaro intensificou-se nos dias que antecederam a operação. Na segunda-feira, 6 de julho de 2026, o Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília informou ao STF que havia entregue à Polícia Federal seis das oito armas registradas em nome do ex-presidente e que estavam sob sua custódia. No mesmo dia, Moraes havia ordenado a entrega do arsenal à PF em até 48 horas.

O batalhão, contudo, apontou que duas armas listadas não foram localizadas no quartel. Em resposta, na terça-feira, 7 de julho, a defesa de Bolsonaro esclareceu que uma das armas, uma pistola Glock, havia sido apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Quanto à outra, uma espingarda Maestro Arms Company, os advogados informaram que se tratava de um presente e que a arma permanecia desde a compra em uma loja de artigos bélicos em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, sugerindo que Moraes oficiasse a empresa para confirmar sua custódia.

Prisão domiciliar e revogação do porte de armas

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses e está em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março, devido a motivos de saúde. Embora o ministro Alexandre de Moraes tenha mantido o regime domiciliar, ele revogou o porte de arma e o certificado de registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) do ex-presidente, tornando ilegal a posse de qualquer armamento.

A determinação inicial para a apreensão do arsenal foi desencadeada por um incidente em 15 de junho, em Brasília. Na ocasião, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) apreendeu uma pistola Glock, de propriedade de Bolsonaro, durante uma blitz. A arma estava em um carro conduzido por Estácio Leite da Silva, militar responsável pela segurança do ex-presidente. Embora a Procuradoria Geral da República (PGR) não tenha identificado falta grave na conduta, o STF considerou a posse de armas incompatível com a condição jurídica atual de Bolsonaro.

Repercussão e a posição da defesa

A operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente gerou ampla repercussão. O advogado João Henrique Freitas, que acompanhou a ação, utilizou as redes sociais para manifestar a posição da defesa. “É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, declarou Freitas, reforçando a crítica à medida judicial.

Apesar da ausência de armas encontradas na residência, a ação da Polícia Federal sublinha a continuidade do escrutínio judicial sobre Jair Bolsonaro e a complexidade das questões envolvendo seu arsenal pessoal desde a revogação de seus direitos de posse e porte. A situação mantém o debate aceso sobre os limites e as prerrogativas de ex-chefes de Estado em face de decisões judiciais.

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