Flávio Bolsonaro pede novo prazo à PF para depor em inquérito de calúnia contra Lula
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou à Polícia Federal (PF) um novo prazo para que ele preste depoimento em um inquérito crucial. O senador foi indiciado por calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a solicitação de adiamento foi encaminhada nesta quinta-feira ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido surge após a PF tentar agendar a oitiva dentro do período de dez dias estabelecido por Moraes em uma decisão anterior, datada de 6 de julho. Contudo, a corporação não conseguiu marcar o depoimento, uma vez que a defesa não indicou uma data e um horário compatíveis. Para facilitar o processo, a Polícia Federal chegou a oferecer a possibilidade de realização da oitiva por videoconferência.
Impasse no agendamento e justificativa da defesa
Diante da dificuldade em conciliar as agendas, os advogados de Flávio Bolsonaro pediram que novas datas sejam disponibilizadas, com uma antecedência considerada razoável para a organização do depoimento. A petição apresentada pela defesa nega veementemente qualquer intenção de atrasar a investigação.
Os advogados atribuem o pedido de prorrogação ao que classificam como um curto prazo concedido inicialmente e, principalmente, à intensa agenda de pré-campanha do senador à Presidência da República. Eles argumentam que os compromissos de pré-campanha incluem inúmeras viagens, deslocamentos e compromissos fixados com grande antecedência, envolvendo diversas pessoas, o que dificulta a conciliação com prazos apertados.
A defesa reforça que o adiamento do depoimento não causaria qualquer prejuízo ao andamento do inquérito no STF, buscando desvincular o pedido de prorrogação de qualquer tentativa de obstrução ou descaso com a autoridade policial.
A origem da investigação: postagem no X e indiciamento
O inquérito em questão investiga uma publicação feita pelo senador Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro de 2026. A postagem ocorreu após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, e gerou controvérsia imediata.
Na ocasião, Flávio Bolsonaro escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. Para a Polícia Federal, essa declaração configura uma atribuição falsa de condutas criminosas ao presidente Lula, ao afirmar que ele “será delatado” e, na sequência, listar uma série de crimes graves. O relatório da PF também aponta não haver dúvidas quanto à autoria da publicação.
PGR e a possibilidade de retratação legal
Apesar da conclusão da Polícia Federal sobre o indiciamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliou ser fundamental ouvir Flávio Bolsonaro antes de determinar os próximos passos do inquérito. Segundo o procurador-geral, a diligência é relevante, sobretudo pela possibilidade de retratação, um mecanismo previsto no Código Penal para os crimes de calúnia e difamação.
De acordo com a legislação brasileira, o investigado pode ser isento de pena caso se retrate antes da sentença. Quando a ofensa é veiculada por algum meio de comunicação, como uma rede social, a retratação pode ser feita pelo mesmo canal utilizado na publicação original, oferecendo uma via para a resolução do conflito sem a necessidade de uma condenação penal.
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