Por que criar uma vacina contra a dengue é tão difícil e como está sua produção no CE?

Passaram-se quatro décadas e sete epidemias de dengue até que o Ceará pudesse contar, de forma efetiva, com uma vacina contra a doença. O imunizante QDenga foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, mas só em janeiro de 2026 chegou a todos os 184 municípios do Estado, seguindo planejamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

A demora para fabricar e disponibilizar gratuitamente uma vacina contra um problema histórico é multifatorial. Envolve negligência de doenças tropicais, falta de investimento para pesquisa, o próprio tempo da ciência e, neste caso, a complexidade do vírus da dengue, que impõe desafios ainda maiores aos pesquisadores.

Se não há remédio possível e o tratamento de base da dengue consiste em hidratação e repouso, como evitar casos graves que levam à hospitalização e óbitos? Para especialistas, a resposta, assim como o problema, envolve uma rede de atenção. A vacina é apenas uma delas, mas ainda necessita da colaboração da população para se tornar realmente eficaz.

Dengue
Como está a vacinação no Ceará?
Primeira dose da vacinação imunizou apenas 33% das crianças.
O infectologista Ivo Castelo Branco, professor e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que a vacina da dengue é uma proteção importante tanto para quem já teve algum dos tipos da doença quanto para quem nunca teve contato com o vírus.

Até o momento, o único imunizante aplicado no SUS é a Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda com aplicação em duas doses. O público-alvo é de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade.

Fonte:Diário do Nordeste