Kennedy Center sob ameaça de demolição em meio a impasse sobre reformas
O futuro do icônico Kennedy Center, um dos mais importantes centros de artes cênicas dos Estados Unidos, está em xeque. Advogados do local alertaram que o prédio poderá ser demolido e substituído por um espaço ao ar livre caso as reformas extensivas necessárias não sejam aprovadas. A declaração, feita em documentos judiciais na última segunda-feira (24), intensifica um embate com a administração do ex-presidente Donald Trump.
A controvérsia gira em torno dos esforços do então presidente Trump para fechar o centro por anos para uma reforma. Segundo os advogados, sem essa intervenção, a estrutura “se deteriorará ainda mais, tornando-se uma estrutura insegura e decrépita que precisará ser demolida”. A alternativa seria a construção de um anfiteatro ao ar livre com vista para o rio Potomac, uma ideia que, segundo eles, já circula há anos.
Disputa Judicial e o Risco de Demolição
A petição judicial surge dias após o conselho do Kennedy Center, majoritariamente composto por aliados de Trump, votar novamente pelo fechamento do local para reformas. Essas votações têm sido alvo de repetidos questionamentos na justiça, com um juiz federal já tendo bloqueado planos anteriores de fechamento, considerando-os ilegais.
Os advogados não detalharam se a proposta de demolição foi discutida pelo conselho em uma reunião recente. Contudo, a menção foi feita em conjunto com argumentos que defendem a decisão do conselho de votar, mais uma vez, pela inclusão do nome de Trump na fachada do centro e em outras áreas pertencentes à instituição.
A Batalha pelo Nome e a Intervenção Judicial
A disputa não se limita apenas às reformas. A deputada democrata Joyce Beatty tem liderado uma tentativa de impedir que o centro inscreva o nome de Trump em seu prédio. A congressista de Ohio argumenta que tal medida violaria a lei federal e desafiaria uma decisão judicial anterior, que determinou que o centro não poderia ser renomeado para homenagear tanto Trump quanto o 35º presidente dos EUA.
O juiz distrital dos EUA, Casey Cooper, agendou uma audiência para a próxima quinta-feira (27) para discutir a moção da deputada Beatty. O desfecho dessa audiência pode ter implicações significativas não apenas para a questão do nome, mas também para o andamento das reformas e, consequentemente, para o futuro da estrutura do Kennedy Center.
A Urgência das Reformas Estruturais
Apesar da complexidade política, a necessidade de reformas estruturais no Kennedy Center é inegável. Funcionários do centro já reconheceram que, mesmo após dois anos de obras, as mudanças visíveis para os frequentadores seriam sutis, focando principalmente em pavimentos ajardinados, fontes e possíveis alterações na paleta de cores internas.
Em uma visita guiada concedida à CNN e a outros veículos de comunicação, autoridades do Kennedy Center demonstraram a gravidade da situação. Foram mostradas evidências de infiltração de água em tetos e pisos do estacionamento, vigas de aço corroídas e enferrujadas, pavimentos descoloridos e revestimento anti-incêndio deteriorado. Uma sala de bombas fluvial, essencial para o sistema de refrigeração do centro, possui equipamentos instalados em 1971 que estão inoperantes há três décadas. A reformulação completa desses sistemas é considerada crucial para a segurança e funcionalidade do edifício.
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