Brasil não prevê avanço de negociação do tarifaço antes de eleições

Apesar da perspectiva de retomada de negociações com os Estados Unidos na semana que vem, o governo brasileiro mantém a percepção de que não haverá avanço rápido nas negociações do tarifaço e de que um acordo só deve sair após as eleições.

A conversa marcada para a segunda-feira (31) entre o ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, e o representante do USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos), Jamieson Greer, é vista como um ponto de retomada para definir caminhos e combinar próximos passos sobre quem irá apresentar propostas.

Greer é visto como uma figura sem autonomia dentro da gestão Trump para fazer concessões, mas aberta a ouvir os argumentos do Brasil e a despertar uma influência positiva dentro da Casa Branca, diante dos argumentos técnicos sobre a relação superavitária entre os dois países.

Brasil e EUA marcam reunião sobre tarifaço para próxima segunda (31)
Na avaliação de fontes ouvidas pela CNN, o telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente Donald Trump produziu um distensionamento e foi uma forma de voltar à mesa de negociação sem precisar abrir mão de pontos caros ao Brasil.

O timing da conversa foi calculado para se ter um tempo de “respiro” de pelo menos um mês e fazer com que a ordem de retomar o diálogo viesse de cima para baixo, ou seja, de Trump para seus subordinados.

Isso parte da convicção de governistas de que Trump não tem pleno conhecimento nem controle sobre o que a própria equipe faz em relação ao Brasil e outros países, principalmente em relação a medidas com carga ideológica, como a retirada de vistos de autoridades brasileiras.

Lula tem dito a interlocutores que não há tema que não possa ser negociado, mas a orientação é não ceder diante de pontos cruciais para o Brasil, como os minerais críticos e o PIX.

O Brasil estaria aberto, por exemplo, a discutir a redução de alíquotas de bens de capital.

O país também não está totalmente fechado a discutir pontos sobre etanol, desde que haja uma análise conjugada para repensar a política de biocombustíveis e a cadeia produtiva do açúcar.

A tarifa cobrada pelo Brasil sobre o etanol de milho dos EUA é de 18% sobre o etanol de milho importado dos EUA. O país aplicava, antes dos últimos tarifaços, uma taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro.

Fonte:CNN Brasil