Oposição venezuelana cobra governo sério para acordo de petróleo com EUA
A líder opositora venezuelana María Corina Machado fez seu primeiro pronunciamento público sobre o recente acordo petrolífero entre os Estados Unidos e o governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez. Em uma declaração contundente, Machado questionou a legitimidade do pacto, que envolve a exploração de importantes poços de petróleo, ao ser firmado por um que ela descreve como “regime ilegítimo”.
A ex-deputada enfatizou a natureza estratégica dessa parceria entre Washington e Caracas, ressaltando que, dada sua importância, é fundamental que “as coisas sejam feitas da maneira correta”. Para Machado, isso é crucial para garantir investimentos sustentados a longo prazo, sob condições de rentabilidade e segurança para o país.
Críticas à Legitimidade e Transparência do Acordo Petrolífero
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, María Corina Machado afirmou que um acordo dessa magnitude “exige um trabalho contínuo baseado nos princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência”. Segundo ela, tais condições só podem ser alcançadas com a legitimidade e a estabilidade que apenas “um governo sério e democrático” pode oferecer à Venezuela.
A líder opositora expressou profunda preocupação com as implicações do acordo para o futuro da nação, compartilhando o sentimento de “tristeza, raiva” e o “mal-estar tão recorrente em nossa história porque alguém decide sobre o que é nosso, em nosso nome, sem contar conosco”. Machado reiterou que “o patrimônio de nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano”.
Contexto Político: Eleições, Transição e Relação com os EUA
O cenário político venezuelano tem sido marcado por tensões e mudanças significativas. O acordo petrolífero surge após a captura do presidente Nicolás Maduro em janeiro passado, em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, o que levou Delcy Rodríguez a assumir a presidência interina do país. A oposição venezuelana, por sua vez, rejeita os resultados das eleições de 2024, que proclamaram a vitória de Maduro, apresentando atas que, segundo seus argumentos, demonstram a vitória do candidato Edmundo González.
Apesar das críticas da oposição, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o acordo como “histórico”. Em declarações recentes à imprensa, Trump afirmou que a Venezuela “ainda não está preparada” para realizar eleições, embora espere que ocorram “em breve”, e destacou uma “ótima relação” com o governo de Delcy Rodríguez, elogiando seu trabalho.
Detalhes do Acordo Energético e a Visão da Oposição
O acordo, assinado em 31 de agosto pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, com a empresa venezuelana North American Blue Energy Partners (NABEP), prevê o desenvolvimento de 17 campos de petróleo com um potencial estimado em cerca de 65 bilhões de barris de petróleo bruto. O pacto permitirá aos Estados Unidos adquirir 20% da produção a preços de custo.
Em contrapartida, María Corina Machado relembrou o plano energético que apresentou em março, durante uma conferência em Houston. Seu plano é fundamentado em cinco pilares essenciais para o setor petrolífero: um marco legal transparente, instituições técnicas sólidas, licitações públicas e abertas, um regime fiscal competitivo e estável, e segurança jurídica com arbitragem internacional.
Para a líder opositora, os Estados Unidos representam “o principal parceiro de que a Venezuela precisa para desenvolver plenamente seu valor estratégico”. Contudo, ela considera que o chavismo não é o interlocutor adequado para essa parceria, afirmando que “os inimigos dos Estados Unidos na Venezuela estão hoje em Miraflores”, em referência ao palácio presidencial venezuelano. Machado defende que a parceria petrolífera deve beneficiar “os venezuelanos, os Estados Unidos, as empresas, os investidores, os mercados e os trabalhadores”, sempre sob os princípios de transparência, legalidade e eficiência.
“A Venezuela vale muito mais do que seu petróleo. O verdadeiro valor da Venezuela é seu povo, que, pelas boas vias, é o melhor parceiro do planeta e que jamais colocará à venda nossa liberdade nem a de nosso país”, concluiu Machado, reforçando a importância de um futuro soberano e democrático para a nação. Para mais detalhes sobre o contexto, Delcy Rodríguez agradeceu a Donald Trump pelos acordos de petróleo.
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