Justiça nega liberdade a policial suspeito de levar cocaína para o tráfico no Porto do Mucuripe

A Justiça cearense negou pedido de liberdade provisória feito pela defesa de Renato Castro Souza e manteve o mandado de prisão temporária contra ele. O inspetor da Polícia Civil do Ceará (PCCE), que está foragido há mais de um ano, é investigado por supostamente participar de um esquema de tráfico internacional de drogas com origem no Porto do Mucuripe, em Fortaleza. Ele teria, conforme as investigações, transportado um carregamento de quase meia tonelada de cocaína para o terminal portuário da Capital.

A decisão judicial data da última sexta-feira (28) e foi tomada em concordância com os posicionamentos da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). Os órgãos sustentam a gravidade dos delitos cometidos pelo policial e alegam que uma possível liberdade colocaria em risco a colheita de provas e a eficácia das diligências em andamento.

Segundo documentos obtidos pela reportagem, Renato, de 39 anos, que era lotado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) à época do crime, em maio do ano passado, teria se aproveitado do cargo na delegacia e das prerrogativas profissionais para transportar cocaína para a área restrita do Porto do Mucuripe.

Ele deixou o Brasil poucas semanas após a descoberta do caso, em um voo com destino a Bruxelas, na Bélgica, e não voltou ao País desde então. No entanto, o mandado de prisão temporária contra ele só foi expedido no dia 16 de junho deste ano, de acordo com o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).O policial, atualmente, encontra-se em “licença para tratar de interesses particulares, concedida nos termos da legislação vigente”, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Como o policial se tornou suspeito de tráfico de drogas?

No dia 3 de fevereiro de 2025, Renato foi flagrado conduzindo uma caminhonete suspeita no Porto do Mucuripe. Três dias depois, uma fiscalização da Receita Federal achou 435,6 quilos de cocaína escondidos em um contêiner que abrigava uma carga declarada de cera de carnaúba. O carregamento passaria pela França e teria como destino final o Japão.

Os entorpecentes foram encontrados somente durante um segundo escaneamento, uma vez que, no primeiro, ainda não havia indícios de contaminação do contêiner.

À época, a Receita explicou que os criminosos utilizaram o método rip-on/rip-off, que consiste em abrir a estrutura de transporte marítimo sem conhecimento do exportador para introduzir ilegalmente a droga. O órgão afirmou ainda que desconfiou de que algo poderia estar errado após a identificação de um comportamento suspeito de um motorista.

A defesa do inspetor da Polícia Civil contesta as acusações, alegando que, na ocasião registrada pelo sistema de monitoramento do porto, o policial utilizou a entrada principal e forneceu o nome completo na portaria. Além disso, argumenta que ele prestava serviços lícitos de apoio logístico para uma empresa que tem acesso ao terminal e, por isso, estava lá.

Já a acusação reforça que o policial se valeu de seu cargo na DHPP e de suas prerrogativas funcionais para atuar como “facilitador armado” do grupo criminoso que utilizava o Porto do Mucuripe para exportar droga. Um dos investigados no caso, que passou a atuar como colaborador da PF, reconheceu Renato em uma fotografia e afirmou que ele era o responsável por fazer a segurança armada do perímetro para o líder da organização.

A quebra do sigilo bancário do inspetor da PCCE também identificou transações financeiras atípicas em benefício dele na véspera da apreensão da cocaína no Mucuripe.O Diário do Nordeste não localizou a defesa do investigado. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Fonte: Diário do Nordeste