Justiça mira trio por assassinato de comerciantes em Fortaleza após recusa a ‘pedágio’ do crime organizado

O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio da 111ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, deu um passo decisivo na busca por justiça ao denunciar, na última terça-feira (15/09), três homens acusados de um brutal assassinato que chocou o bairro Mondubim. O crime, ocorrido em 28 de agosto, vitimou um casal de comerciantes, em um episódio que expõe a crueldade e o poder de intimidação de organizações criminosas na capital cearense.

Os denunciados, identificados como Victor Freire, José Ribamar Neto, conhecido como “Neném”, e Gabriel Freitas, vulgo “Biel”, são apontados como integrantes de uma facção de origem carioca. A investigação do MPCE revela que o motivo do duplo homicídio seria a recusa das vítimas em pagar uma “taxa” de extorsão imposta pelo grupo criminoso, que busca controlar o comércio local e desafiar a atuação do Estado.

Denúncia detalha crime e atuação de facção no Mondubim

A denúncia do Ministério Público detalha a participação de cada um dos acusados no crime. Victor Freire é apontado como o responsável por efetuar os disparos que ceifaram a vida do casal. José Ribamar Neto e Gabriel Freitas teriam dado apoio crucial para a consumação do assassinato e a subsequente fuga do local, demonstrando a coordenação e a frieza da ação.

O MPCE pediu a condenação do trio por homicídio triplamente qualificado, abrangendo motivo torpe, perigo comum e o uso de recurso que impossibilitou qualquer defesa por parte das vítimas. Além disso, a denúncia inclui a acusação de domínio social estruturado, um crime grave que caracteriza a imposição de regras próprias e o desafio à autoridade estatal por meio de violência, ameaças e intimidação.

Organização criminosa: extorsão e controle territorial

A investigação aponta que a organização criminosa à qual os denunciados pertencem opera no bairro Mondubim com um modus operandi bem definido: a extorsão de comerciantes. A cobrança de um “pedágio” ou “taxa” é uma tática comum utilizada por esses grupos para financiar suas atividades ilícitas e consolidar seu poder sobre determinadas comunidades e territórios.

A recusa em ceder a essa imposição, como no caso do casal de comerciantes, frequentemente resulta em retaliações violentas, servindo como um aviso para outros que ousem desafiar a autoridade paralela imposta pelas facções. Esse cenário gera um clima de medo e insegurança, afetando diretamente a vida e a economia local.

Investigação revela elos com tráfico de drogas e armamento

A complexidade do caso se aprofunda com a denúncia da esposa de Victor Freire, Rayadna Nunes. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do casal, as autoridades encontraram uma quantidade significativa de entorpecentes: 17 kg de drogas. Além disso, foram apreendidos uma balança de precisão, aparelhos celulares e outros objetos que indicam envolvimento com o tráfico.

O casal também admitiu ter escondido um revólver calibre .38 na casa, o que levou à denúncia de Rayadna por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e receptação. A descoberta reforça a conexão entre os crimes de extorsão, homicídio e o submundo do tráfico de entorpecentes e armamentos, elementos intrínsecos à atuação de organizações criminosas.

Os três homens denunciados pelo assassinato do casal de comerciantes permanecem presos, aguardando o desenrolar do processo judicial. A ação do Ministério Público reforça o compromisso das instituições em combater o crime organizado e garantir a segurança e a justiça para a população de Fortaleza. Para mais detalhes sobre a atuação do Ministério Público, você pode acessar o site oficial do MPCE.

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