Com 100 mandados de prisão cumpridos, PCCE deflagra maior operação do ano contra o CV

Com 100 mandados de prisão cumpridos, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) deflagrou a maior operação do ano contra membros do Comando Vermelho (CV) no Estado. A Operação ‘Impacto X’ cumpriu 61 mandados contra pessoas já privadas de liberdade e outros 39 contra alvos suspeitos que estavam em liberdade, em uma força-tarefa nesta quinta-feira (17).

Um braço financeiro da facção também começou a ser desmantelado, pois as autoridades policiais solicitaram à Justiça o bloqueio de R$ 73,5 milhões das contas dos investigados. Foram executados ainda 112 mandados de busca e apreensão em 14 municípios cearenses, além de unidades prisionais nos estados do Piauí e Santa Catarina.

Em coletiva de imprensa nesta quinta, o delegado-geral da PCCE, Márcio Gutierréz, reforçou a relevância da medida estratégica: “Temos também uma frente muito importante que é a asfixia financeira. Nós solicitamos o bloqueio de R$ 73,5 milhões desse grupo criminoso, e a Justiça autorizou. Essa operação [tem o] objetivo principal de tirar de circulação criminosos perigosos, criminosos violentos, criminosos envolvidos em práticas de homicídios, extorsões, ameaças, crimes efetivamente conectados à atuação dessa organização criminosa.

A operação teve início em dezembro de 2024, quando foi presa uma liderança do Comando Vermelho, de acordo com o delegado Thiago Salgado, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

Com esse alvo, os policiais apreenderam diversos equipamentos e, a partir da extração autorizada de dados, os investigadores identificaram uma teia de centenas de alvos diretamente conectados a esse chefe criminoso.

Durante as apurações, o delegado Salgado afirmou que “não fez essa divisão de liderança porque entendemos que todos fazem parte desse grupo em uma mesma hierarquia”. A maioria dos investigados possui extensa ficha criminal por crimes como homicídios, extorsões, ameaças e outros crimes contra o patrimônio.

O delegado ainda pontuou que “é importante a gente cumprir mandados de prisão em desfavor de quem já se encontra preso, que é para que eles possam perdurar mais tempo ainda no sistema penitenciário à disposição da Justiça”.

ORDEM PARA HOMICÍDIOS E COBRANÇA DE ‘TAXAS’ PARA O CRIME
As investigações apontaram que os integrantes do CV utilizavam grupos em aplicativos de mensagens para planejar ações violentas, como homicídios, além de articular o tráfico de drogas e determinar a cobrança de taxas, que geralmente são cobradas pelo CV contra comerciantes e moradores. As ordens analisadas no inquérito foram emitidas no período em que os investigados ainda se encontravam em liberdade.

Em buscas realizadas nesta quinta, os policiais apreenderam entre 30 e 40 aparelhos celulares, além de veículos e porções de entorpecentes. Em Fortaleza, o cumprimento dos mandados resultou na prisão em flagrante de dois investigados por tráfico ilícito de drogas, após a localização de cocaína e crack em suas residências.

O delegado responsável por presidir a operação, Daniel Coelho, adjunto da Draco, explicou o avanço do trabalho policial: “Se iniciaram atos consecutivos de investigações com objetivo de identificar cada membro da teia dessa organização criminosa ligada a essa liderança”.

Ele acrescentou que os alvos possuíam atuação pulverizada por diversas regiões: “Cada qual a sua função, cada qual a sua localidade […] a Draco prossegue identificando membros de organizações criminosas e o objetivo é identificá-los e tirá-los do convívio social”, afirmou em coletiva de imprensa.

A megaoperação mobilizou cerca de 350 policiais civis, entre delegados, inspetores e escrivães, sob a coordenação do Departamento de Repressão ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

Segundo o diretor do titular do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da PCCE, Ricardo Pinheiro, a ação possui repercussão nacional pelo empenho em conter a expansão da organização de origem carioca no Ceará.

“A Polícia Civil não vai cessar os trabalhos até que todas as diligências estejam esgotadas no intuito de localizar e prender os demais que ainda se encontram foragidos”, destacou Pinheiro.

 

Fonte:Diário do Nordeste