Guimarães acusa STF de “intromissão” em afastamento de diretor da PF

O cenário político e jurídico brasileiro foi agitado nesta terça-feira por uma forte declaração do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE). Em um movimento que precede qualquer posicionamento oficial do governo, Guimarães classificou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, como uma “intromissão descabida”.

A medida judicial, que também alcança o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, e determina a abertura de processo na corregedoria, gerou uma reação imediata do governo. A Advocacia-Geral da União (AGU) já se mobiliza para contestar a decisão, argumentando que Mendonça teria extrapolado suas competências ao interferir em uma prerrogativa exclusiva da Presidência da República. A AGU se prepara para recorrer ao STF.

Afastamento de diretor da PF: a reação do governo

A crítica de José Guimarães foi veiculada antes de qualquer pronunciamento oficial do governo, evidenciando a urgência e a gravidade com que o tema foi recebido. O ministro não poupou palavras ao descrever a decisão de André Mendonça.

Guimarães afirmou que a medida “é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe”. Ele levantou suspeitas sobre a motivação da decisão, sugerindo que ela “me cheira como eleitoral”. Em sua manifestação, o ministro também fez uma clara alusão à necessidade de imparcialidade e respeito às leis, declarando que “ninguém está acima da lei” e cobrando “providências” do próprio STF diante do ocorrido.

Desdobramentos da decisão no Supremo Tribunal Federal

A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF foi submetida ao plenário virtual da 2ª Turma do STF. Inicialmente, a medida obteve apoio da maioria dos ministros da turma, indicando uma possível validação da ação.

Contudo, o julgamento foi paralisado após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Este movimento suspende a análise do caso por tempo indeterminado, sem um prazo definido para a entrega do voto de Mendes, mantendo a situação em um limbo jurídico e político.

A crise interna e as tensões entre ministros da Corte

O episódio do afastamento do diretor da PF ocorre em um momento de crescente tensão interna no Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, chegou a adiar uma reunião que teria com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O encontro seria crucial para discutir a crise que envolve a corte, com foco especial na relação entre André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. A tensão entre os dois ministros tem sido um dos pontos nevrálgicos da atual conjuntura do STF.

O nome de Alexandre de Moraes foi recentemente citado em supostas mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, que se encontra preso. Segundo o material divulgado, Vorcaro teria mantido uma série de encontros com Moraes entre 2024 e 2025 e enviado mensagens ao ministro antes de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025, durante a operação Compliance Zero. O relatório também faz menção a um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e Vorcaro, adicionando mais um elemento de complexidade à crise institucional.

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