Cabotagem de contêineres: a chave para reduzir emissões no transporte brasileiro
A ampliação do transporte de contêineres por cabotagem pode reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de CO₂ do setor de transporte de cargas no Brasil.
As informações são de um estudo divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), nesta quinta-feira (23), que também aponta potencial para quadruplicar, no longo prazo, o transporte de contêineres por cabotagem.
Mesmo em um cenário mais conservador, considerando apenas os portos que já oferecem os serviços de cabotagem, o volume poderia crescer 163%, ou seja, mais que dobrar em relação ao nível atual. Nesse caso, a estimativa é de uma redução de 4,5% nas emissões do setor de transporte de cargas.
Segundo o levantamento, a cabotagem emite em média entre 12% e 15% do que um caminhão emite para transportar a mesma carga.
Hoje, porém, o modal responde por cerca de 9% da movimentação de cargas no país, o que representa um índice abaixo de outras regiões com grandes litorais ao redor do mundo — como o Japão (44%), a União Europeia (32%) e a China (25%).
Ao mesmo tempo, o modal rodoviário concentra 66,2% da matriz brasileira e 92% das emissões do transporte de cargas.
A CNI atribui a baixa participação da cabotagem a gargalos como acesso precário aos portos, necessidade de dragagem, limitação de capacidade dos terminais e excesso de burocracia, com exigências documentais semelhantes às do transporte internacional.
Atualmente, o setor de transportes é responsável por 13,5% das emissões líquidas brasileiras de gases de efeito estufa (GEE).
*Sob supervisão de Daniel Rittner

