Ceará terá biofábrica pioneira para transformar água de coco em pó em escala industrial
Uma inovação cearense, fruto de mais de quatro décadas de pesquisa na Universidade Estadual do Ceará (Uece), está prestes a alcançar um novo patamar. No primeiro semestre de 2026, o município de Jaguaretama sediará a inauguração da primeira biofábrica industrial dedicada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos. Esta iniciativa representa um marco significativo, transformando o conhecimento científico em produção em larga escala com vastas aplicações em nutrição, saúde e biotecnologia.
A tecnologia desenvolvida promete atender, de forma especial, populações em situação de vulnerabilidade nutricional, como crianças, idosos e pacientes hospitalizados. A planta industrial não só impulsionará a economia local, mas também posicionará o Ceará na vanguarda da pesquisa aplicada e da produção de bioprodutos com impacto social relevante.
Quatro Décadas de Ciência e Inovação na Uece
A jornada dessa tecnologia começou nos laboratórios da Faculdade de Veterinária (Favet/Uece), sob a liderança do professor emérito José Ferreira Nunes. Desde a década de 1980, os estudos focaram no uso da água de coco em processos biotecnológicos, inicialmente para a conservação de sêmen caprino e ovino. Essa linha de pesquisa culminou na primeira patente biológica internacional do Brasil na área de reprodução animal, demonstrando o pioneirismo da Uece.
Com o passar dos anos, a pesquisa evoluiu da utilização da água de coco in natura para a criação da água de coco em pó (ACP). Essa transformação abriu um leque de possibilidades, permitindo aplicações em áreas como nutrição clínica, regeneração tecidual, conservação de órgãos, nanomedicina e a produção de diversos bioprodutos, consolidando a Uece como um polo de inovação.
ACP Lacte: Uma Resposta à Vulnerabilidade Nutricional
Parte dessa inovação passou pela Incubadora de Empresas da Uece (IncubaUece), fortalecendo a ponte entre a ciência, o empreendedorismo e o desenvolvimento regional. A implantação da biofábrica em Jaguaretama, município com forte tradição na caprinocultura, marca a transição para a escala industrial. A unidade terá capacidade para processar diariamente cerca de 2 mil litros de matéria-prima.
O foco principal da produção será o ACP Lacte, um composto nutricional inovador, resultado da combinação da água de coco em pó com leite de cabra. Essa tecnologia, patenteada em 2019 pelo grupo de pesquisa da Uece, foi desenvolvida com o objetivo de combater a fome proteica e oferecer suporte nutricional a grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pacientes em recuperação hospitalar.
Além da Nutrição: Aplicações em Saúde e Regeneração
As pesquisas com a água de coco em pó não se limitam apenas à área nutricional. Estudos clínicos documentados na publicação “Biotecnologias da água de coco: 41 anos de pesquisas de inovações” revelaram resultados promissores na regeneração de tecidos. A linha ACP Derma, por exemplo, tem sido aplicada no tratamento de feridas crônicas, incluindo casos de pé diabético, demonstrando uma notável redução no tempo de cicatrização.
Essa vertente da pesquisa destaca o potencial multifacetado da água de coco, que vai além da alimentação, oferecendo soluções inovadoras para a saúde e bem-estar. A capacidade de acelerar a recuperação de lesões complexas abre novas perspectivas para tratamentos médicos e cuidados com a pele, reforçando o impacto abrangente da pesquisa cearense.
Parcerias Estratégicas e o Futuro da Biotecnologia Cearense
A concretização da biofábrica é resultado de uma rede de colaborações estratégicas. A iniciativa reúne parcerias com o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale). Essa integração entre universidade, setor produtivo e agricultura familiar é fundamental para o sucesso e a sustentabilidade do projeto, garantindo que os benefícios da inovação cheguem à comunidade.
A história das biotecnologias da água de coco também está intrinsecamente ligada ao fortalecimento da pós-graduação e da pesquisa em biotecnologia na Uece. O professor José Ferreira Nunes foi um dos articuladores da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), que teve a Uece como ponto focal. Com mais de 40 anos de pesquisas, o grupo acumula dezenas de projetos, centenas de artigos e 12 patentes, consolidando o Ceará como um polo de excelência em biotecnologia. Para mais informações sobre a pesquisa, clique aqui.
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