Cearenses relatam corte de até 60% no valor do Auxílio Brasil: “Fiquei em choque”
Contrariando as expectativas de ter uma ampliação de 20% no valor do Auxílio Brasil, famílias cearenses relataram à reportagem do Diário do Nordeste que tiveram redução de até 60% no benefício pago em novembro.
Essa redução no valor pode ser explicada pela falta de pagamento do Benefício Compensatório de Transição. O benefício seria depositado às famílias que teriam o valor reduzido em decorrência do enquadramento na nova estrutura.
É o caso de Eliene Gomes, 41 anos, moradora do município de Paracuru, no litoral oeste do Ceará. Ela foi pega de surpresa ao verificar no aplicativo Caixa Tem o valor que receberia em novembro.
Eliene teve uma redução de 60,8% no valor que recebia antes da pandemia. Agora, ela espera que em dezembro a situação regularize, já que não pode procurar emprego por motivos de saúde.
“Minha situação agora piorou muito, todos os que poderiam me ajudar estão sem trabalhar. Está muito difícil arrumar emprego. Eu sou diarista, mas agora estou doente. Tenho um problema que incha os meus pés e eu sinto muito dor ao caminhar”, relata.
A família de Djanira Rocha também viu o benefício ser reduzido em cerca de 23%. Desempregada e mãe de uma menina de 11 anos, Djanira conta que procurou ajuda no Centro de Referência da Assistência Social (Cras), mas não obteve uma resposta concreta.
“Antes [da pandemia] eu recebia R$ 198 e agora recebi R$ 151. Eu fui no Cras porque eu preciso desse dinheiro para a minha filha. Cheguei lá e só viram que tinha diminuído o valor e por aí ficou. Eu sou separada, não recebo pensão. No Bolsa Família eu era cadastrada como mãe solteira, eu procurei ajuda e ninguém fez nada”, declara.
A mãe-solo, de 43 anos, também explica que seus dados estão atualizados e que sempre recebeu conforme sua necessidade. “Estou totalmente dentro dos critérios. Sempre recebi os valores máximos porque eu preciso. Eu preciso muito desse benefício”.
Assim como Djanira, Vicktoria Yasmin Ferrer, de 45 anos, também procurou o Cras para resolver a redução de 20,7% no benefício.
“Meu cadastro está tudo ok, enquanto estava lá ouvi muitos relatos de outras pessoas com o mesmo problema. Eu recebia R$ 189 e agora foi R$ 150. Queria entender o que aconteceu”, conta.
Desempregada e mãe de 2 filhos, Vicktoria cuida da mãe idosa com Alzheimer. “Esse dinheiro ajuda a casa toda, eu opto por ficar com minha mãe, mas o que eu posso fazer agora?”
Na casa de Natyele Viana, de 23 anos, a redução foi geral. No caso dela, o corte foi de 44%, o que afetou diretamente a qualidade de vida da família.
“Eu recebia R$ 179 e agora só R$ 100. O pior é que aconteceu a mesma coisa com a minha irmã que tem dois filhos e com a minha mãe que tem três filhos menores de idade. Isso afeta muito a gente, nossas contas e a alimentação também”, conta.
Natyele também relata os problemas para conseguir emprego, já que não possui experiência.
“Eu e meu marido estamos sem trabalhar faz tempo. Ele faz uns bicos quando aparece. Eu estou procurando um emprego, mas se pelo menos eles facilitassem um emprego para quem não tem experiência, eu não procurava resolver o Bolsa Família (atualmente Auxílio Brasil), mas eu não consigo”, afirma.
Em nota, o ministério declara ainda que além do reajuste no tíquete médio, o novo programa prevê ainda o pagamento do Benefício Compensatório de Transição.
Inclusive, ressaltou que esse adicional será pago até que haja aumento dos benefícios recebidos. Segundo o ministério, em novembro cerca de 5 milhões de beneficiários de todo o país receberam o Benefício Compensatório de Transição, que soma mais de R$ 263,9 milhões.
Além disso, foi alertado que o valor do tíquete do Auxílio Brasil é calculado de acordo com uma série de variáveis. Cada composição familiar e cada situação social é avaliada até chegar ao valor final do benefício do Auxílio Brasil.
Fonte: Diário de Nordeste.

