Com 14 lojas no Ceará, o que deve mudar para a Ri Happy após venda do grupo?

O grupo Ri Happy foi vendido pelo The Carlyle Group para a BluSun Capital Partners, empresa constituída em 21 de agosto. No comando da varejista de brinquedos, entra o executivo Héctor Nuñez, que já ocupou o cargo de CEO entre 2012 e 2020, período de maior expansão da empresa.

No Ceará, o grupo tem 14 lojas: duas franquias, em Eusébio e Juazeiro do Norte, e 12 unidades das bandeiras Ri Happy e PB Kids em Fortaleza. Todas ficam em shopping centers.

A Ri Happy não informou se as lojas atuais, próprias ou franqueadas, continuarão operando após a venda.

Em nota, a empresa e a BluSun confirmaram apenas a troca de controle e informaram que vão iniciar o planejamento da próxima etapa de desenvolvimento, com foco na experiência do cliente. Valores da negociação, contudo, não foram revelados.

A companhia renegociou cerca de R$ 300 milhões em dívidas com credores em 2023 e já vinha em processo de mudança, incluindo um projeto para ampliar o mix de produtos além de brinquedos.

Para o presidente daAssociação Brasileira dos Fabricantes dos Brinquedos (Abrinq), Synesio Costa, a mudança de controle da Ri Happy não deve impactar a fabricação de brinquedos no Brasil, embora deva alterar o ambiente interno da varejista.

PERFIL DO NOVO CEO INDICA REESTRUTURAÇÃO
Para o economista e diretor da M7 Investimentos, Thomaz Bianchi, a decisão sobre a rede de lojas não deve sair antes de janeiro. O foco agora está nas datas de maior movimento do varejo infantil, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

O economista observa que o novo CEO da companhia tem histórico em processos de reestruturação, considerando que já passou pela Coca-Cola, presidiu o Walmart Brasil, integrou o conselho da Vulcabras por 10 anos, presidiu o conselho da Marisa e depois foi CEO da Novonor, antiga Odebrecht.

De acordo com Bianchi, esse perfil “decide rápido e costuma cortar antes de investir”.

O economista e professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Kanter, acrescenta que Nuñez deve encontrar pelo frente um setor de artigos infantis cada vez mais informatizado, com mudanças sensíveis que precisam atrair o público para dentro das lojas.

“Conhecimento do negócio anterior ajuda muito, mas o sucesso dessa nova etapa estará ligado à capacidade de interpretar a Ri Happy do futuro”, reflete.

MERCADO NO CEARÁ
De acordo com dados do Anuário Estatístico de 2026 da Abrinq, a participação do Ceará nas vendas nacionais de brinquedos caiu para 1,53% em 2025, o menor patamar da série iniciada em 2017 e abaixo dos 2,13% registrados no ano anterior.

Kanter acredita que, nos moldes atuais, uma loja física, no caso específico de brinquedos e artigos infantis, “precisa oferecer uma razão adicional para o consumidor sair de casa e ir lá”.

“A Ri Happy pode acelerar uma transformação que já vinha sendo desenhada: deixar de ser percebida apenas como uma loja de brinquedos e assumir cada vez mais o papel de um espaço de entretenimento infantil e familiar”, pondera.

Já Bianchi avalia que a nova gestão pode abrir frentes ligadas ao fenômeno “kidult”, público adulto que consome produtos e mantém hábitos associados ao universo infantil.

Para o interior, o especialista cita Sobral, Cariri e Iguatu como praças com presença quase nula da marca hoje, onde a franquia permitiria crescer sem consumir caixa do controlador.

Fonte:Diário do Nordeste