Desemprego no Ceará cresce 131% na crise econômica

Desde o início da crise econômica no Brasil, o mercado de trabalho cearense vem sendo fortemente impactado, assim como ocorre nos outros estados. O número de desempregados no Ceará cresceu 131% do fim de 2014 para o início de 2017, período que marcou a recessão no País. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua trimestral), o total de pessoas fora do mercado de trabalho formal saltou de 228 mil para 527 mil trabalhadores nesse tempo. 

No primeiro trimestre deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o desemprego vem caindo no Estado, mas ainda a passos lentos. Atualmente, são 467 mil desocupados no Ceará. Mas se considerarmos os 400 mil desalentados, aqueles que perderam as esperanças de encontrar um trabalho, o número chega a 867 mil pessoas em idade ativa (a partir de 14 anos) sem emprego.  O período de janeiro a março de 2019 registrou a maior número de desalentados desde o início da série histórica, em 2012.

O analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Mardônio Costa, considera que a crise econômica representou um grande impacto ao mercado de trabalho nacional. “Não só no desemprego, mas em outros indicadores, como a taxa de subutilização da força de trabalho e a de desalento também estão muito maiores nos últimos anos”.

A Pnad Contínua do primeiro trimestre de 2019 ainda revela que 222 mil trabalhadores estão ocupados como autônomos e 265 mil subutilizados no Ceará, por não trabalharem ou atuarem no mercado por menos do que gostariam.

Mesmo lembrando que acelerações no nível de desocupação são normais no três primeiros meses do ano, Mardônio diz que o índice cede “muito paulatinamente em razão da limitada capacidade de geração de emprego na economia pela falta de investimentos aliado a um consumo baixo provocado pelo desemprego elevado”. E os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e do País, com resultados negativos, geram preocupação.

Neste período de crise, alguns setores da economia foram mais impactados. Entre 2015 e 2017, o saldo de contratações e demissões foi negativo, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. O analista do IDT destaca que os impactos nos setores da indústria e construção civil foram fortes.

Presidente do Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro afirma que o setor ainda está sendo fortemente apenado pelos efeitos da crise, já que empresas cearenses continuam demitindo. Ele diz que a falta de investimentos públicos em obras de infraestrutura contribui negativamente para o cenário. Desde o início deste ano, o setor demitiu 12.753 trabalhadores no Estado.

Principal programa de construção de moradias do Governo Federal, o Programa Minha, Casa Minha (MCMV) no Estado segue com atrasos nos repasses. André confirma que a União diminuiu o atraso, que chegava a 60 dias, mas que agora o débito com as empresas chega a 30 dias. Na avaliação dele, a volta do setor de construção civil é estratégico para a economia nacional. “É um ramo que agrega vários outros como de materiais pesados, indiretamente a indústria de móveis e eletrônicos. As construções de moradias envolvem a geração de muitos empregos”, reforça.

A indústria cearense, com 16.472 demissões e saldo negativo de 598 empregos em 2019, é outro setor que ainda sente os efeitos da crise. Mozart Martins, presidente da Associação Empresarial de Indústrias (Aedi), afirma que as empresas estão diante de um grande impasse: ou reduzem a folha de pagamento ou sucumbem. “Os industriais acreditam que a atual crise econômica seja revertida para que eles possam produzir mais e, consequentemente, empregar um maior número de pessoas”, avalia.

O setor que teve o pior desempenho no Estado foi o comércio, com mais de 25 mil demissões, gerando saldo negativo de 4.202 vagas. O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, reclama dos prejuízos causados pela crise.

“Esses períodos que temos passado de instabilidade política, que têm refletido na economia, fazem com que todos paguem o preço”, destaca. Ele lembra que demissões no início do ano são normais por conta das contratações temporárias de fim do ano, mas que, em 2019, o índice de efetivação dos trabalhadores temporários, que era de 25% em média, caiu.

Segundo o Caged, mais de 100 mil desligamentos foram realizados nos primeiros três meses de 2019 no Ceará em todos os setores, gerando saldo negativo de 7.965 vagas. (Colaborou Matheus Mendes/levantamento estatístico)

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MARÇO

O relatório revela que, no último mês de março, foram mais de 30 mil desligamentos, gerando saldo negativo de 4.638 empregos no Ceará. Resultado mostra que maior número de demissões é oposto ao visto em março de 2018, quando houve saldo de 238 empregos gerados.

RENDA FAMILIAR

Em 22,7% dos domicílios brasileiros não há renda proveniente do trabalho, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Bolsa Família, aposentadorias e pensões garantem os rendimentos dessas famílias.

LONGO PRAZO

Estudo do também Ipea aponta que o agravamento da crise fez crescer em 42,4% em quatro anos o número de desempregados há mais de dois anos. Os chamados desempregados de longo prazo já representam 3,3 milhões de brasileiros.

DESIGUALDADE

Outro efeito da crise econômica, indica o estudo, foi o crescimento da desigualdade social. A análise mostra que a renda dos domicílios mais ricos é 30 vezes maior que a dos domicílios mais pobres.

15,3%

É a taxa de desocupação média da região Nordeste no primeiro trimestre de 2019, segundo dados do IBGE

Jonas Deison

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