Doação de órgãos gera solidariedade que traz esperança em meio à dor

A Campanha Setembro Verde e o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, celebrado em 27 de setembro, têm como principal objetivo conscientizar a população em geral sobre a importância da doação de órgãos. A prática tem o intuito de ajudar milhares de pessoas que lutam por uma oportunidade de salvar as suas vidas. Uma única doação pode salvar mais de oito vidas. O Hospital Regional Norte (HRN), do Governo do Ceará, administrado pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH) conta com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) há mais de cinco anos. 

A comissão é formada por uma equipe multiprofissional de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, médicos da emergência e UTI, além de serviços secundários de Imagem e Laboratório. A finalidade da comissão é organizar institucionalmente rotinas e protocolos que possam possibilitar o processo da doação de órgãos e tecidos aos pacientes que aguardam por um transplante.

O coordenador da CIHDOTT e médico intensivista, Francisco Olon Leite Júnior, explica que o processo de sensibilização no HRN para a doação de órgãos não é voltado apenas aos pacientes de transplante e nem focado em um momento, mas acontece desde a chegada ao hospital. “Percebemos que o acolhimento dá resultado quando ele é feito da mesma forma para todos os pacientes que chegam graves ao hospital. Quando o paciente é bem recebido na emergência e a família acolhida, reflete diretamente na decisão dos familiares”.

O especialista explica que o diagnóstico de morte encefálica é demorado e exige exames clínicos realizados por dois ou três médicos, além de um exame complementar de eletroencefalograma, conduzido em parceria com a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e a Central de Transplantes do Governo do Estado. “Quando eventualmente o paciente evolui para morte encefálica, procuramos dar assistência a essa família em todas as fases do diagnóstico. O objetivo é dar o diagnóstico de morte encefálica, que é um direito da família e uma obrigação médica independente da questão da doação”, explica.

Fechado o diagnóstico, a equipe multiprofissional da CIHDOTT realiza uma entrevista com a família e tem início o processo de doação. “A doação é uma consequência; focamos no suporte da família que está com a perda. Explicamos que é um direito da família a doação e que o paciente está em óbito, mas o corpo está sendo mantido por aparelhos e drogas com alguns órgãos ainda funcionando”. O médico completa ainda. “Muitas famílias que doam se sentem melhores emocionalmente por saberem que uma parte do seu ente querido pode estar vivendo em outra pessoa e que eles podem estar ajudando outra pessoa e isso faz diminui um pouco a dor do luto, da perda. Estamos beneficiando em primeiro lugar a família que doa, e, quando ocorre a doação, um outro grande benefício do transplante é salvar vidas ou melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

Sensibilização

Maria (nome fictício) é profissional de saúde. Há cerca de três meses, a vida dela mudaria completamente. Ela despediu-se da filha de nove anos. Hoje, para Maria, sua pequena menina vive em outras crianças. “Ela foi minha primeira filha e eu queria muito ser mãe. A gente só conhece o amor depois que somos mães. Então o amor que eu sentia pela minha filha, que eu cuidei, se espalhou e sei que de alguma forma ela ganhou novas famílias e eu, novos filhos, mesmo que eu nunca saiba quem são”, declara. Foram doadas as duas córneas, o fígado e os dois rins. Maria ressalta que pensou imediatamente na possibilidade da doação, mas sua família a princípio era contra. “O hospital foi muito receptivo e acolhedor e não faltou nada para a gente. O meu marido acabou concordando com a doação e agora toda a família defende a causa da doação de órgãos”, ressalta.

Expansão

O HRN capta prioritariamente fígado, rins e córneas para a Central de Transplantes do Governo do Estado, que funciona em Fortaleza. Em 2019, já foram cinco doadores até o mês de julho, com cinco fígados, oito córneas e dez rins captados. Em 2018, foram oito doadores efetivos, contra cinco doadores em 2017. “Temos um crescimento importante na doação. Acreditamos que vem reduzindo a negativa familiar”, avalia o especialista.

O hospital foi convidado a participar do Projeto DONORS – Estratégias para otimizar a assistência aos potenciais doadores que consolida sua contribuição às ações do Sistema Nacional de Transplantes para otimizar a doação de órgãos no Brasil. O projeto é uma parceria entre Hospital Moinhos de Vento (RS) e o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS). O objetivo é traçar alternativas para preservar futuros doadores. “A segunda causa de perda de órgãos no Brasil, logo após a negativa familiar, é má manutenção dos possíveis doadores, quando o paciente não chega a captar órgãos devido ter uma parada cardíaca. Mantemos um padrão no HRN. Nunca perdemos nenhum paciente por parada”, completa.

Jonas Deison

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