Dólar sobe de novo e se reaproxima de R$ 3,75

Alta de 1,33% da moeda norte-americana foi influenciada por movimento de aversão ao risco no exterior

O dólar terminou a quarta-feira (24) em alta pela segunda sessão consecutiva, perto dos R$ 3,75 com o aumento da aversão ao risco no mercado internacional, enquanto investidores aguardam o desfecho da eleição presidencial doméstica no próximo domingo (28).

Na sessão, a moeda norte-americana avançou 1,33%, a R$ 3,7463 na venda, depois de marcar a máxima de R$ 3,7478. Na mínima, ainda pela manhã, atingiu R$ 3,6827.

“A notícia das bombas nos Estados Unidos é algo relevante, aumentou a aversão ao risco global, pode ser um ataque terrorista”, comentou o diretor de operações da Mirae, Pablo Spyer, ao comentar o incidente que elevou o nervosismo dos mercados nesta sessão.

A polícia interceptou supostos artefatos explosivos enviados ao ex-presidente norte-americano Barack Obama, à ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton e à redação da rede CNN de Nova York, que aparentemente visaram figuras que são alvos de críticos de direita a uma quinzena das eleições parlamentares.

Esse episódio se somou às preocupações dos investidores com o crescimento global, tarifas comerciais, orçamento italiano e isolamento da Arábia Saudita depois da morte de um jornalista na Turquia.

As bolsas norte-americanas tiveram nova sessão de forte queda, influenciadas ainda pelo Livro Bege, que mostrou que muitas indústrias elevaram seus preços por causa das tarifas comerciais, embora a inflação aparente estar modesta ou moderada na maior parte do país.

O movimento de aversão ao risco fez o dólar ter forte alta ante as divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano e, ainda, o real. No início do dia, a moeda norte-americana chegou a cair ante o real, com o exterior mais tranquilo e os investidores esperando o desfecho eleitoral.

“O dólar deve passar os próximos dias de lado, entre R$ 3,65 e R$ 3,70, esperando o resultado das eleições, domingo”, avaliou naquele momento a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, para quem a pesquisa Ibope da véspera, apesar de reduzir um pouco a distância entre o líder e Fernando Haddad (PT), ainda mostra grande vantagem para Bolsonaro, com difícil reversão para o PT.

O levantamento mostrou que Bolsonaro está com 57% dos votos válidos, contra 43% do adversário, de 59% a 41% na pesquisa anterior. A rejeição ao capitão da reserva subiu para 40%, enquanto em relação a Haddad caiu a 41%, o que ajudou a justificar uma tímida correção no início do dia.

“Se realmente for confirmada a vitória de Bolsonaro, que é o cenário mais provável, pode ter um rali na segunda-feira e, depois, … volta à vida normal”, acrescentou Fernanda. De todo o modo, os investidores monitoram o noticiário político, sobretudo em busca de informações “positivas” sobre o provável novo governo, no que diz respeito, principalmente, ao ajuste fiscal.

Na véspera, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse que Bolsonaro, uma vez eleito, pretende definir os nomes de seus ministros e presidentes de estatais em até 30 dias pós-eleição. Além disso, afirmou que não está descartada a manutenção de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central.

O Banco Central vendeu nesta sessão 7.700 contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 6,545 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Profissionais ouvidos pela Reuters informaram que o recuo recente do dólar abriu espaço para uma discussão sobre a redução do estoque de swap, mas avaliam que a autoridade monetária pode esperar um cenário mais claro pós-eleição para se decidir.