Entenda caso de suposta candidata laranja no Ceará

Candidata a deputada estadual no passado, a então desconhecida Débora Ribeiro recebeu R$ 274 mil da cota do Pros no fundo eleitoral e teve apenas 47 votos. A candidatura fracassada, suspeita por si só pelo expressivo investimento e retorno quase zero, ganhou contornos de laranja após O POVO revelar, na última terça-feira, 12, detalhes envolvendo o caso.

Na 1ª matéria sobre o caso, a reportagem revelou que a campanha gastou quase toda a verba na contratação de 141 ativistas de campanha – três vezes o número de votos que obteve. Além disso, foi revelado que uma irmã e servidores do deputado Vaidon Oliveira (Pros), um dos dirigentes do Pros no Ceará, receberam repasses de até R$ 5 mil da candidatura.

Caso foi revelado em reportagens do O POVO
Caso foi revelado em reportagens do O POVO (Foto: Reprodução)

Ministério Público e relação com Vaidon

Ainda na terça-feira, o Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) entrou no caso. Isso após a procuradora regional eleitoral substituta, Lívia Maria de Sousa, pedir, com base na reportagem, instauração de procedimento para apurar irregularidades no caso.

O caso ganhou traços mais graves nesta quinta-feira, 14, quanto nova manchete do O POVO apontou que Débora Ribeiro é da família de Vaidon Oliveira. Segundo documentos obtidos pela reportagem, a candidata investigada mora há vários anos no mesmo endereço que Francisco Tancredo de Oliveira, com quem tem um relacionamento duradouro.

Caso semelhante atinge Bolsonaro

O caso cearense é semelhante com crise que atinge o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagens da Folha de S. Paulo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, teria criado uma série de candidaturas laranjas pelo PSL nas eleições passadas, época em que ele presidia a sigla.

Entre elas, está a candidatura de uma ex-assessora de Bebianno em Pernambuco que recebeu R$ 250 mil e teve 1,3 mil votos. O caso ficou mais grave na noite desta quarta-feira, 13, após Bolsonaro dar “sinal verde” para investigação do caso e acusar o ministro de mentir ao afirmar que se reuniu com ele sobre o assunto. Bebianno, no entanto, nega renunciar ao cargo.

Cota feminina e fundo eleitoral

Tanto para o caso cearense quanto para o nacional, a suspeita é, até agora, que as candidaturas fossem usadas como forma de “driblar” dispositivo da lei eleitoral que obriga que 30% de todas as candidaturas dos partidos sejam de mulheres.

A cota, instituída em lei de 2009, vale também para a distribuição de recursos de fundos públicos aos partidos. A intenção é estimular a participação feminina na política. Na prática, no entanto, acabam sendo lançadas candidatas de fachada com o objetivo de cumprir a lei.

O que os acusados dizem

O POVO tenta ouvir Vaidon Oliveira sobre o caso desde a última terça-feira, mas não consegue retorno. Na última vez que conversou com a reportagem, no dia anterior à primeira matéria, o deputado negou ter relação com Débora Ribeiro e disse estranhar o fato de a candidata ter fornecido o e-mail deboravaidon90@hotmail.com em cadastros na Justiça.

Vaidon argumenta que, como era dirigente do Pros, acabou auxiliando na organização de diversas campanhas. “Meu comitê bem dizer virou um comitê do Pros”, disse. Já Gustavo Bebianno nega irregularidades e diz ter trabalhado “com perfeição” na campanha.

Jonas Deison

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