Indústria acirra vigilância contra café fake e impuro no ponto de venda

A indústria brasileira de café quer ampliar a vigilância sobre produtos impuros ou fraudados vendidos no varejo e aumentar a presença de cafés certificados nas prateleiras dos supermercados. A estratégia envolve desde o monitoramento de lotes em diferentes regiões do país até a proposta de criação de uma espécie de “gôndola certificada”, que reúna produtos com selo de qualidade.

Segundo a APAS (Associação Paulista de Supermercados), cerca de 10% dos cafés comercializados no varejo ainda precisam avançar no processo de análise e certificação. A avaliação é de que uma maior adesão dos supermercados aos selos poderia funcionar como uma barreira adicional à entrada de produtos irregulares no mercado.

Em paralelo, uma das propostas defendidas pela Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) é aumentar a integração com o varejo para que a certificação seja considerada também na organização das prateleiras. A avaliação fez parte da agenda do Seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas”, realizado pela primeira vez em São Paulo.

O evento, que está na terceira edição, reuniu representantes da indústria, do varejo e de órgãos públicos para discutir os desafios relacionados à qualidade, à segurança e ao combate às fraudes no mercado de café.

De acordo com o presidente da Abic, Pavel Cardoso, a entidade vem mapeando lotes comercializados em todo o país. O próximo passo, segundo ele, é ampliar esse alcance, inclusive por meio de avanços regulatórios, para elevar a participação de cafés certificados no mercado.

A associação realiza atualmente cerca de 5 mil análises de lotes por ano. Desde 1979, quando iniciou seu trabalho de monitoramento e certificação, foram aproximadamente 170 mil análises.

Café avança em certificação no varejo
O tamanho do mercado torna o controle especialmente relevante. Segundo Erlon Ortega, da Apas (Associação Paulista de Supermercados), o varejo comercializa cerca de 80 mil toneladas por ano de café tradicional em pacotes de 500 gramas.

Ortega afirma que o café já está à frente de segmentos como hortifrúti e carnes quando se considera a organização do setor em torno de processos de certificação e selos de qualidade.

Ainda assim, indústria e varejo avaliam que há espaço para avançar. A ideia é fazer com que a certificação não funcione apenas como uma informação disponível na embalagem, mas ganhe maior peso na própria seleção dos produtos vendidos pelos supermercados.

Fiscalização ainda é fragmentada
Para a Abic, uma das dificuldades no combate aos cafés fraudulentos está na estrutura pública de fiscalização. A entidade avalia que a descentralização dos processos entre diferentes órgãos pode reduzir a eficiência do monitoramento.

Há casos em que marcas ou lotes suspeitos são coletados, mas as análises e informações ficam fragmentadas entre diferentes estruturas de fiscalização. Com isso, parte das coletas pode não ser aproveitada de maneira integrada para acelerar a identificação e retirada de produtos irregulares.

Outro ponto considerado crítico é o intervalo entre a identificação de uma irregularidade e a aplicação de sanções. Como as fiscalizações podem estar relacionadas a lotes específicos e envolver diferentes órgãos, o tempo de resposta se torna uma variável importante para impedir que produtos fora dos padrões permaneçam no mercado.

A indústria defende, por isso, maior integração dos processos de coleta, análise e fiscalização, além de uma estrutura pública mais coordenada. A avaliação é que o avanço da certificação no varejo precisa caminhar junto com uma resposta mais rápida do poder público para aumentar o cerco aos cafés impuros ou fraudulentos.

 

Fonte:CNN Brasil