Internet | Eventos fakes voltam a ser febre no Facebook, confira!

Era maio de 2014 e estávamos prestes a ver acontecer Copa do Mundo e Eleições no País. De repente, surge uma notificação no Facebook. “Grande festa de inauguração do trem-bala RIO-SP (com open bar!)”. Não se sabe se este foi o primeiro evento fake a invadir a rede de Mark Zuckerberg, mas certamente é um dos mais emblemáticos e bem sucedidos — até hoje, é claro, porque, como todo evento fake, nunca aconteceu e continua recebendo confirmações de presença. Até agora, 183 mil pessoas garantem que vão.
A chamada para a “Festa de despedida da Dilma”, marcada para o 5 de outubro, também chamou atenção. Foram 195 mil usuários do Facebook que tiveram de adiar a comemoração diante da reeleição da presidente. Mas nada de tristeza, as “Bodas de prata de Carlos Daniel e Paulina Bracho” eram a oportunidade perfeita para afogar as mágoas.
Assim como outros tantos eventos fakes que foram surgindo, fazendo graça não mais com a política, mas com tudo o que fosse possível. “O negócio é se divertir. Você está cansada da rotina, vê aquele pessoal reclamando (na timeline), aí vem o evento fake pra você rir”, diz a advogada Natércia Pequeno, de 24 anos, ao resumir o espírito desse “fenômeno” de Facebook. “É uma coisa pra compartilhar com meus amigos, porque é cômico, você se identifica, traz coisas de infância”, complementa.
Segundo o coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Ceará (UFC), o pesquisador em apropriações e novas mídias César da Silva, a primeira “onda” de eventos fakes surgiu como espécie de manifestação política em reação aos dois grandes eventos que ocorreriam no Brasil. “Mas quando os usuários percebem o sucesso e a adesão desses eventos fakes, eles começam a criar eventos de toda natureza, especialmente aquela que contemplava a cultura pop dos anos 90”, explica. Daí vermos nesses eventos referências as mais diversas, das novelas a grupos de pagode, duplas sertanejas, personagens como Power Rangers e Chaves, por exemplo.
Essa nostalgia é um dos maiores atrativos da brincadeira, acredita o ator e estudante de Publicidade Ronnie Ballack, 23. E ele fala como alguém que, não só confirma presença em vários eventos fakes, mas também cria as páginas. “Eu acho que é por isso que faz tanto sucesso, é algo nostálgico com um humor inteligente”, avalia.
Mas nem só do passado vivem os eventos fakes. Memes e piadas atuais, que surgem na própria Internet ou na televisão, e fatos do cotidiano, como a falta de água em várias partes do País, também viram tema. O que, segundo Ronnie, exige agilidade para lançar o evento e fazê-lo “bombar”.
Para Gabriel Ramalho, consultor de marketing e comunicação digital, os eventos fakes encontram paralelo nas comunidades do finado Orkut. “As pessoas tinham isso como uma forma de participar de um grupo, de se identificar com outras pessoas, de ter algo bem humorado em seu perfil”, sublinha. Na avaliação dele, as redes sociais sempre tiveram ferramentas com uso subvertido pelos usuários e isso não é negativo, já que o uso original sempre vai existir.
“As pessoas se esquecem de que as redes sociais foram criadas nas cavernas, em volta do fogo. Elas existem pra facilitar uma necessidade ancestral de se comunicar, de fazer parte de algo”, resume. Quando confirmamos, curtimos ou simplesmente rimos com um amigo que participou de um “Evento para descobrir se no samba ela me diz que rala” estamos fazendo exatamente isso, interagindo”