Mulher compra apartamento em leilão e encontra corpo de moradora morta há mais de um ano em MG
Uma mulher encontrou um corpo em avançado estado de decomposição no quarto de um apartamento após comprar o imóvel em um leilão em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, na quinta-feira (5). Conforme apurado pelo g1 e pela TV Integração, a suspeita é que o corpo seja da proprietária do imóvel, que estaria morta há mais de um ano.
Em entrevista ao g1, Kalina Poliana, a mulher que comprou o imóvel, contou que recebeu permissão do filho da antiga proprietária para entrar no apartamento após a compra. Com a ajuda de um chaveiro, ela conseguiu entrar no local e encontrou o corpo envolto em uma coberta em cima de uma cama.
“Foi muito complicado, eu fiquei muito abalada. Eu já tinha falado com o filho da proprietária, ele me falou que ela tinha sumido, tinha arrumado um suposto namorado. Ela comentou que iria morar com o rapaz em Varjão de Minas”, afirmou ela.
Familiares da vítima também contaram à Kalina que eles tinham perdido contato com a mulher.
Ainda conforme a apuração da TV Integração, a ex-proprietária deixou diversas cartas e não havia sinais de violência ou arrombamento no local. A Polícia Civil irá investigar a causa da morte.
Segundo apurado pelo g1, o apartamento estava completamente fechado e os vizinhos não sentiram o cheiro do corpo. Kalina contou que também não sentiu nenhum odor incomum ao entrar no imóvel. Já no quarto, que estava fechado, ela viu um volume em cima da cama debaixo de cobertas e com travesseiros ao lado e estranhou a situação.
“Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama”, disse a mulher em entrevista.
Kalina contou que ficou com medo e chamou o chaveiro para olhar dentro do quarto. “Ele voltou e me disse ‘tem uma mulher morta lá dentro’, eu não acreditei”, comentou ela.
Após verificar que realmente tinha um corpo na cama, a mulher ficou abalada e não conseguiu chamar a polícia. O chaveiro acionou as autoridades.
Cartas foram encontradas ao lado do corpo
Ainda conforme apurado pelo g1, diversas cartas foram deixadas próximo ao corpo. Nos bilhetes, a ex-proprietária explicava como queria ser sepultada e com quais roupas seria vestida. Ela também teria afirmado nos textos que já havia deixado pago o serviço funerário.
A reportagem também apurou que o apartamento foi deixado limpo e em bom estado pela antiga dona. Em um dos bilhetes, a mulher teria afirmado que deixava a chave do imóvel para o filho único dela.
Apartamento ficou fechado por mais de um ano
Ao g1, Vanilda Sousa, responsável pela empresa Chave7 & Sousa, responsável pela assessoria de arremetantes do leilão em questão, explicou que a venda de um imóvel em leilão acontece sem nenhuma vistoria prévia.
Segundo Vanilda, o apartamento foi leiloado após a proprietária parar de pagar o financiamento do bem. “No caso a devedora poderia pagar a dívida em 15 dias, conforme a lei. Então, a Caixa notificou ela e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo desse imóvel vir a leilão”, informou. O imóvel foi adquirido por Kalina Poliana em 09 de outubro.
A advogada responsável pelo caso, Lahra Lopes, informou ao g1 que a equipe jurídica irá entrar com uma ação para tentar anular o leilão, visto que a nova proprietária manifestou o desejo de cancelar a aquisição do imóvel.
A equipe aguarda o resultado da perícia do Instituto Médico Legal (IML), que poderá indicar a data aproximada do falecimento da antiga proprietária.
“Precisamos verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria”, explicou a advogada.
O g1 entrou em contato com a Caixa para solicitar um posicionamento sobre o ocorrido e para saber qual é o procedimento realizado pelo banco em casos de imóveis que vão a leilão. A reportagem aguarda retorno.
Fonte:G1

