Obstrução intestinal levou a descoberta de câncer em Raoni; entenda o diagnóstico

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com câncer no aparelho digestivo, conhecido também como adenocarcinoma. A constatação do tumor foi confirmada na segunda-feira (14) durante uma publicação feita pelo Instituto criado pelo líder indígena.

Segundo a associação, a doença se manifestou durante uma grave obstrução intestinal no começo de junho, quando Raoni precisou passar por uma cirurgia para restabelecer a passagem dos alimentos e garantir melhores condições de alimentação e conforto.

Logo após o procedimento, o cacique passou por exames voltados ao diagnóstico de doenças gastrointestinais, como a endoscopia digestiva alta, onde foi identificada a presença do tumor, conhecido como adenocarcinoma “pouco diferenciada”.

O que é adenocarcinoma?
Segundo o médico Alexandre Nishimura, o adenocarcinoma é um tipo de câncer que se origina em células glandulares e pode surgir em diferentes órgãos, como intestino, estômago e pâncreas.

“Quando o patologista descreve o tumor como “pouco diferenciado”, significa que, ao microscópio, as células cancerígenas perderam grande parte das
características das células normais do tecido onde surgiram”, explica o coloproctologista e Cirurgião Robótico.

A doença se desenvolve a partir do acúmulo de alterações genéticas que fazem com que as células percam o controle sobre sua sobrevivência e que pode atingir também os tecidos do corpo. No entanto, as causas e os fatores de risco, variam de acordo com o órgão em que o câncer se inicia.

Segundo o especialista, quanto menor o grau de diferenciação da doença, maior tende a ser a agressividade do tumor.

Sinais de alerta e diagnóstica
Quando o tumor está localizado no aparelho digestivo, por exemplo, podem ocorrer alterações no hábito intestinal, sangue nas fezes, anemia, perda de peso sem explicação, dor ou distensão abdominal, redução do apetite, náuseas, vômitos e cansaço — os mesmos sintomas que se apresentaram em Cacique Raoni.

Nishimura explica também que nem todos os pacientes apresentam sintomas nas fases iniciais da doença. Por este motivo, é importante manter os exames preventivos em dia.

“A investigação pode envolver endoscopia ou colonoscopia, tomografia, ressonância magnética, PET-CT em situações selecionadas e exames laboratoriais, dependendo da suspeita clínica”, aponta o especialista.

De acordo com o médico, a imuno-histoquímica, uma técnica voltada para estudar células e tecidos, também pode ajudar a determinar a origem do tumor.

Por qual motivo o tratamento paliativo é substituído pelo tratamento com chance de cura?
No caso do Cacique, os médicos optaram por aderir aos cuidados paliativos, considerando a idade e os riscos de tratamentos comuns, que seriam mais agressivos.

No entanto, isso não significa que não exista um tratamento para a doença.

“A possibilidade de cura depende principalmente da extensão da doença, dos órgãos comprometidos e da possibilidade de eliminar completamente todas as áreas tumorais. […] Nesse cenário, o tratamento passa a ter como objetivos controlar a doença, reduzir ou estabilizar os tumores, aliviar sintomas e prolongar a sobrevida, mantendo a melhor qualidade de vida possível”, explica Nishimura.

Apesar dele ser submetido aos cuidados paliativos, o especialista explica que em alguns casos, essa tipificação pode permitir uma boa resposta ao organismo e permitir a possibilidade de uma cirurgia futura.

 

Fonte:CNN Brasil