OpenAI responde em caso de roubo de segredos: “confusão criada pela Apple”

A OpenAI negou na segunda-feira (31) as alegações da Apple de roubo de segredos comerciais. A desenvolvedora afirma que a fabricante do iPhone não conseguiu comprovar que qualquer informação confidencial tenha sido roubada por ex-funcionários.

“Essa disputa é uma confusão criada pela própria Apple, que está tentando culpar todos os outros”, disse a OpenAI em um documento apresentado na noite de segunda-feira no Tribunal Distrital dos EUA em San Jose, Califórnia.

Em julho, a Apple processou a OpenAI e dois ex-funcionários da Apple, Tang Tan e Chang Liu, acusando-os de apropriação indevida de segredos comerciais relacionados ao design de hardware, fabricação e operações da cadeia de suprimentos, enquanto a criadora do ChatGPT se expande para dispositivos de consumo.

OpenAI vence processo relacionado a segredo comercial movido por Musk
O laboratório de IA, liderado pelo CEO Sam Altman, alega que a Apple está usando o processo judicial para prejudicar um potencial concorrente e desencorajar a saída de funcionários. A desenvolvedora contratou cerca de 400 funcionários da empresa da maçã para sua iniciativa de hardware, conforme alegado pelas duas em documentos judiciais.

A legislação da Califórnia permite que os funcionários transitem livremente entre empresas concorrentes, afirmou a OpenAI.

O processo representou uma escalada dramática nas tensões entre as duas empresas, que apenas dois anos antes haviam firmado uma parceria com o objetivo de ampliar o alcance do ChatGPT e ajudar a Apple a consolidar sua posição em IA. Mas o relacionamento azedou rapidamente com a intensificação da concorrência no setor.

Em sua ação judicial original, a Apple argumentou que a contratação de seus funcionários pela OpenAI fazia parte da estratégia da rival para aprender os segredos de um concorrente. A companhia defendeu que Tan e Liu acessaram seus arquivos internos depois de se demitirem.

A OpenAI afirmou na segunda-feira que a Apple incentiva seus funcionários a usar contas pessoais do iCloud para acessar documentos de trabalho e executar suas funções, dificultando a separação entre informações pessoais e corporativas por parte dos funcionários que deixam a empresa.

A desenvolvedora sustentou que a política da Apple de escoltar imediatamente os funcionários que se demitem não dá tempo suficiente para que eles devolvam os dispositivos da empresa, transfiram os arquivos internos de volta ou repassem responsabilidades.

Na petição, Liu afirmou que qualquer acesso a documentos da Apple após sua saída foi feito para ajudar ex-colegas a localizar arquivos ou responder a perguntas relacionadas ao trabalho na empresa. Ele disse que funcionários da Apple o contataram repetidamente em busca de ajuda após sua saída.

Tan, que trabalhou 24 anos na companhia da maçã, disse que devolveu os protótipos da empresa antes de sair e que reteve apenas materiais não confidenciais, incluindo uma lista de verificação de desligamento de funcionários que não era confidencial.

Os funcionários “podem deixar uma empresa como a Apple, que tem tido dificuldades para adotar a IA, e ir para uma startup empolgante que cria produtos inovadores”, escreveu a OpenAI.

“A Apple pode não gostar dessas opções. Mas não pode alegar que essas opções são ilegais, e não pode usar seus próprios procedimentos negligentes para culpar os outros por seus próprios problemas”.

Fonte:CNN Brasil