A Operação Área Restrita, deflagrada nesta quarta-feira (9) pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), mirou integrantes do Comando Vermelho (CV) que usavam drones para fazer delivery de “encomendas” ilícitas em presídios cearenses. Os pacotes encobriam celulares, relógios inteligentes e pequenas quantidades de droga. Os valores dos produtos variavam de R$ 20 a R$ 30 mil.
Em coletiva de imprensa na sede da Delegacia de Narcóticos (Denarc), o delegado Paulo Renato informou que, durante as diligências, foram apreendidos ao menos dois drones utilizados no esquema. Ele também detalhou que os criminosos usavam fitas isolantes para ofuscar as luzes brilhantes de LED dos equipamentos e dificultar o trabalho da vigilância.
As investigações resultaram no cumprimento de mandados de prisão contra 13 pessoas que estavam em liberdade e outras quatro que já estavam recolhidas no sistema prisional. Também foi obtida pela Polícia autorização judicial para o bloqueio de mais de R$ 13 milhões em posse dos alvos.
OPERAÇÃO FOI DESENCADEADA A PARTIR DA PRISÃO DE UMA PESSOA QUE TENTOU LEVAR DROGA PARA A PENITENCIÁRIA
De acordo com o delegado Ricardo Pinheiro, titular do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), a operação teve como ponto de partida a prisão em flagrante de uma pessoa ligada à organização criminosa que tentou transportar droga para uma unidade prisional do Estado em abril de 2025. “A Denarc aprofundou essa ocorrência”, explicou.
“A investigação aponta que houve todo um aparato financeiro com relação a essa célula da organização criminosa que estamos falando, a fim de colocar no interior do sistema penitenciário aparelhos eletrônicos e entorpecentes. Com essa ação, novas informações surgiram”, acrescentou o delegado Paulo Renato.
Ele disse, porém, que a quantidade de tentativas de transportar droga para o presídio não é objeto da operação, e, sim, o fluxo financeiro que financia esse transporte. “As investigações se direcionam para identificar essas pessoas e cortar o fluxo financeiro em torno desse sistema”, garantiu o delegado.
ENCOMENDAS ERAM ‘AVULSAS’ E OPERADORES DOS DRONES ERAM ‘CONTRATADOS’ PELO CV
Conforme os representantes da PCCE, as negociações entre presos e integrantes do crime organizado fora dos muros da penitenciária dependia do comprador, que não necessariamente pertencia ao CV, e do produto. “A maneira como ele seria colocado, quando seria e em que presídio, variava bastante”, afirmou Paulo Renato.
O delegado garantiu que não houve nenhuma “contratação do serviço” para dentro da Unidade Prisional de Segurança Máxima (UP-Máxima) e detalhou que a situação investigada diz respeito a uma única penitenciária do complexo de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Além disso, Renato detalhou que, entre os operadores dos drones, havia pessoas contratadas pelo CV apenas para esse serviço e outras que já faziam parte da facção e que passavam por um “treinamento” informal para aprender a manusear os aparelhos.
Fonte:Diário do Nordeste

