Operação Conto da Sorte investiga esquema bilionário de apostas ilegais

Uma força-tarefa interestadual, que conta com o apoio do Ministério Público do Ceará (MPCE) por meio do Gaeco, deflagrou a Operação Conto da Sorte. A ação, liderada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), visa desarticular um complexo esquema de apostas online ilegais que teria movimentado bilhões de reais em todo o país.

A ofensiva ocorreu simultaneamente nos estados do Ceará, Pernambuco e São Paulo. Em Fortaleza, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão para coletar provas sobre a exploração irregular de jogos de azar. A investigação, que teve a colaboração estratégica da Receita Federal, apura crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e delitos contra as relações de consumo.

A estrutura do esquema e a fraude digital

O grupo criminoso utilizava táticas sofisticadas para atrair vítimas e conferir uma falsa aparência de legalidade às plataformas. Segundo as investigações, os suspeitos invadiam sistemas de órgãos públicos para injetar códigos maliciosos em sites renomados, como os de domínios “.gov.br” e “.edu.br”.

Essa manipulação forçava mecanismos de busca a direcionar usuários para sites de apostas ilegais. Ao utilizar o nome de um órgão municipal de Bodó, no Rio Grande do Norte, como âncora, a organização tentava legitimar dezenas de plataformas de apostas que operavam sem autorização legal.

Movimentação financeira e uso de laranjas

O volume de recursos movimentado pelo esquema é expressivo. Dados apontam que empresas envolvidas chegaram a registrar créditos de R$ 4,6 bilhões apenas no ano de 2025. Para ocultar a identidade dos verdadeiros beneficiários, o grupo estruturou uma rede de empresas de fachada.

Essas firmas eram registradas em nome de pessoas de baixa renda ou beneficiários de programas sociais, os chamados “laranjas”. Mesmo após o encerramento formal de CNPJs pela Receita Federal, o fluxo financeiro ilícito continuava operando através de endereços fantasmas e escritórios virtuais.

Medidas judiciais e combate à ilegalidade

Em novembro de 2025, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 145 milhões do grupo, incluindo sequestro de bens e indisponibilidade de ativos financeiros. A operação reforça o entendimento de que municípios não possuem competência legal para legislar sobre loterias e apostas, prerrogativa exclusiva da União.

A ação conjunta envolveu dezenas de promotores, servidores públicos e forças policiais. O objetivo central é interromper as atividades ilegais, proteger o consumidor e garantir a reparação dos danos causados à sociedade pelo esquema bilionário.

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