Policias penais são denunciados por facilitarem entrada de celulares em presídio no Ceará

Dois policiais penais foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), na sexta-feira (4), suspeitos de facilitarem, direta ou indiretamente, a entrada de celulares e outros objetos ilícitos no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO)II, em Itaitinga.

Os servidores denunciados são Milton Oliveira Martins Neto, conhecido como “Bruno”, de 24 anos, e Emanoel Rodrigues Pereira, de 36 anos.

As duas denúncias são oriundas de investigações diferentes, através de inquéritos instaurados pela Delegacia de Assuntos Internos, realizadas em 2020. O MP requereu ainda medidas cautelares de afastamento do cargo e proibição de frequentar unidades prisionais.

 

FUGA DO PRESÍDIO  

Segundo detalhou o MPCE, Milton estaria recebendo dinheiro para entrar com celulares e armas no presídio e participado do planejamento de uma fuga na unidade. As condutas do policial configuram os crimes de corrupção passiva, prevaricação imprópria e associação criminosa.

Durante as investigações, testemunhas relataram que o agente iria facilitar a fuga de 15 presos, ao preço de R$ 700 mil. A fuga estava marcada para o dia 20 de fevereiro de 2020, mas não aconteceu. Sob o pretexto de se proteger da Covid-19, por ser asmático, Milton foi para o interior do Estado e desde então não foi mais visto pelos detentos.

 

Milton afirmou que se envolveu no plano por ser viciado em apostas de jogo de futebol pela internet e possuir dívidas financeiras.

Além do servidor, três detentos também foram denunciados pelo Ministério Público por envolvimento no esquema. São eles: Cleyton Nunes Sampaio, 26 anos, Olanir Gama da Silva, vulgo “Véi” ou “Véi matuto”, 45 anos, e Francisco George Constantino de Oliveira, de apelido Magão. O trio seria responsável pelos crimes de corrupção ativa, favorecimento real e associação criminosa.

A denúncia requer, além da condenação, que seja expedido ofício à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS), para serem encaminhados os relatórios de extração de dados do aparelho celular de Milton Oliveira Martins Neto, a fim de viabilizar a conclusão da instrução criminal, e a oitiva de 8 testemunhas.

ENTRADA DE CELULARES 

No caso do policial penal Emanoel Rodrigues Pereira, a denúncia é pela prática de corrupção passiva, associação criminosa e prevaricação imprópria.

Em 14 de fevereiro de 2018, o agente foi preso em flagrante ao tentar entrar no presídio portando cinco aparelhos celulares dentro de seu bornal, espécie de pochete de perna. No carro do servidor ainda foram encontrados outros 11 telefones.

Além de Emanoel Rodrigues, ainda são denunciadas mais três pessoas, que estariam envolvidas no recebimento de dinheiro e uso de cartão para o pagamento dos celulares. São elas: Anderson Alves de Olveira, 24 anos; Kassandra Rodrigues de Lima, 35 anos; e Kemisson Rodrigues Lima, 32 anos. Anderson, segundo consta nos autos, faleceu. Ele era motorista de aplicativo, já havia trabalhado como serviços gerais no IPPOO 2 e era esposo de Kassandra, irmã de Kemisson.

Segundo o MP, o trio trabalhava com a participação de um preso, irmão de Kassandra e Kemisson, identificado como Kewton.

O Ministério Público requereu a oitiva de 14 testemunhas e envio da cópia dos autos para a Delegacia Metropolitana de Itaitinga, a fim de que inquérito policial apure os crimes de lavagem de dinheiro, a partir do relatório de análise de dados bancários constantes dos autos.

As condutas do denunciado Emanoel Rodrigues configuram aos crimes de corrupção passiva e prevaricação imprópria. Em relação aos denunciados Anderson Alves, Kemisson Lima e Kassandra Lima, os delitos são de corrupção ativa e favorecimento real.

Fonte: Diário do Nordeste

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