Universidade Federal do Cariri implanta banheiros sem gênero

Inauguração formal ocorreu nessa terça-feira, 28; sanitários ganharam placa de sinalização

A Universidade Federal do Cariri (UFCA) inaugurou, nessa terça-feira, 28, seis banheiros sem gênero: estruturas que podem ser usadas por todas as pessoas, sem distinção. Segundo instituição, em nota divulgada nas redes sociais, ação busca trazer conforto e segurança para quem frequenta local.

No anúncio que divulgava ação, entidade esclareceu que “os banheiros com gênero não seriam extintos”, mas sim que apenas seriam criados novos sem distinção de uso. “Assim, todas as pessoas — servidores/as, estudantes e visitantes — terão sempre mais de um banheiro disponível”, destacou.

Segundo Cauê Henrique, servidor que faz parte do Comitê de Diversidade da universidade, foram instalados seis banheiros sem gênero dentro do campus de Juazeiro do Norte, nos blocos contemplados pelo Instituto Interdisciplinar de Sociedade, Cultura e Artes (IISCA). A inauguração formal ocorreu ontem.

Os sanitários se alternam com os banheiros de gênero definido e são identificados por meio de uma placa de sinalização inserida na porta. “Eles (banheiros) ainda passarão por ajustes a médio e longo prazo, queremos consertar todas as cabines, fazer fraldários e aumentar a quantidade de cabines nos que houver essa possibilidade, mas hoje eles já estão abertos e funcionais”, explica o produtor cultural.

Além da placa de sinalização, ao lado dos banheiros sem gênero também foi colocado um cartaz contendo a lei estadual contra LGBTfobia e outro explicando como funcionam os sanitários.

Universidade vai contar com ações de diversidade

A iniciativa dos banheiros sem gênero surgiu em 2018, quando o servidor Cauê Henrique era ainda estudante da universidade. “Nos organizamos entre pessoas interessadas na pauta, elaboramos uma carta, mobilizamos espaços de discussão e conseguimos levar a pauta para debate e aprovação”, pontua.

Na mesma época foi criado o Comitê da Diversidade, do qual fazem parte técnicos administrativos, professores, estudantes e outros. O servidor, que é transmasculino, conta que a percepção da participação de pessoas trans no espaço foi um dos motivos que ajudaram a promover as mudanças.

“Estão ingressando cada vez mais pessoas de diferentes orientações sexuais e identidade de gênero nas instituições, nas universidades, bem como é um pauta nacional, e a UFCA sempre foi uma universidade que se destacou por estar a frente dessas pautas”, frisa Cauê.

Apesar de ser aprovada pelo IISCA, a proposta de criar banheiros sem gênero demorou para ser colocada em prática. “A gente sofreu vários ataques mais fortes por conta da instabilidade, por ser uma universidade muito nova todo o investimento faz falta, nós sofremos muitos cortes, muitos ataques. Esse projeto ficou um pouco parado, mas a gente conseguiu dar andamento agora”, conta.

Com a implementação da proposta, Cauê destaca que a universidade agora estabelece um modelo de políticas de diversidade e se posiciona quanto ao “acolhimento de pautas que emergem como um todo”. Ele ainda pontua que serão promovidas várias ações ao longo do ano voltadas para o debate das diversidades.

“Existe uma importância fundamental aí, que é de acolhimento, de permanência, de mostrar que existem pessoas diversas no espaço, que aquele espaço não é um espaço de passar e ir embora, a universidade é um espaço de estadia, não só pros estudantes, mas (pra) gente que é servidor”, destaca.

Fonte: O Povo Online

 

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