Psicóloga afirma que dinheiro “não muda as pessoas, mas as revela”
Ganhar um prêmio da Mega Sena da Virada, seja de R$ 1 bilhão, se ganhar sozinho, ou de R$ 100 milhões, se o prêmio for dividido por dez pessoas, ou ainda de R$ 50 milhões, se for dividido entre 20 apostadores, e por aí afora, muda a essência de uma pessoa? Para a consagrada psicóloga dra. Aleksandra Lopes (CRP 6/123404), especializada em Psicanálise e Saúde pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, do alto de seu conhecimento, Aleksandra garante que o dinheiro não muda as pessoas, mas as revela, mostrando quem elas realmente são, sem máscaras, sem travas e sem controle, até então impostos pela falta de recursos financeiros.
Todo final de ano, o Brasil mergulha em um transe coletivo chamado Mega da Virada. As filas nas lotéricas não são apenas por bilhetes; são filas de esperança, de desabafo e, acima de tudo, de projeção. “Como psicóloga, observo esse fenômeno com um olhar atento: o que o brasileiro busca naquela combinação de seis números vai muito além de uma conta bancária recheada? É a busca pela ‘cura’ de todas as angústias”, destaca ela.
“Mas, afinal, o que acontece com a cabeça de alguém quando o abismo entre a escassez e a abundância é atravessado em segundos?”, indaga a especialista.
Segundo a dra. Aleksandra, existe um mito de que o dinheiro transforma as pessoas. “Na prática clínica, percebemos que o dinheiro, na verdade, é um potencializador de essências. Ele funciona como um holofote: se você é alguém generoso, o dinheiro o torna um filantropo; se guarda em si sementes de arrogância ou insegurança, a riqueza as fará florescer com força total. O dinheiro não muda o caráter, ele apenas remove as travas sociais que a pobreza impunha. Sem o medo do ‘boleto de amanhã’, a pessoa se sente livre para ser quem realmente é — e nem sempre essa pessoa é agradável. Uma máxima da psicologia econômica é que o dinheiro não muda as pessoas; ele as revela”, explica ela.
O PESO DA LIBERDADE – A partir da conquista da independência financeira para o resto da vida, o ganhador ou os ganhadores da Mega Sena começam a sentir o “peso da liberdade”. “Para quem sempre viveu no limite, o dinheiro representa o fim do ‘modo sobrevivência’. Esse estado de alerta constante causa um desgaste neurológico imenso. O alívio imediato é indescritível, mas ele vem acompanhado de um perigo silencioso: a adaptação hedônica. O cérebro humano é mestre em se acostumar com o luxo. Em poucos meses, a mansão vira ‘apenas a casa’ e o carro importado vira ‘apenas o transporte’. Se a felicidade do ganhador estiver ancorada apenas no consumo, o vazio existencial baterá à porta mais rápido do que ele imagina”, alerta a psicóloga.
Informações: São Carlos Agora

