Possível candidatura de Ciro Gomes à Presidência embaralha eleições no Ceará

Convite público do presidente nacional do PSDB reacende incerteza sobre disputa ao governo estadual e pode alterar alianças

 Um convite público do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do partido, para que Ciro Gomes dispute novamente a Presidência da República reabriu um cenário que parecia se encaminhar para uma definição: a candidatura do ex-governador ao Palácio da Abolição.

A sinalização ganhou peso por ter sido feita de forma direta e sem rejeição imediata de Ciro, colocando sob tensão cerca de um ano de articulações da oposição cearense. A expectativa era de que o nome fosse confirmado até o fim de abril.

Ao longo dos últimos meses, o ex-governador oscilou nas declarações. Disse não ter intenção de disputar, apontou o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) como nome ideal, mas também admitiu se sentir estimulado diante de manifestações de apoio. As pesquisas reforçam esse estímulo: com Ciro na disputa estadual, o governador Elmano de Freitas (PT) aparece 15 pontos percentuais atrás, segundo levantamento do Datafolha encomendado pelo O POVO.

Sem Ciro, o quadro se inverte. Roberto Cláudio como candidato coloca Elmano na liderança com 42%, enquanto o ex-prefeito soma 20% e o senador Eduardo Girão (Novo) sobe para 14%.

A ausência do ex-governador também torna mais incerto o apoio do PL, hoje considerado encaminhado, mas formalmente suspenso. Para o partido, apoiar Ciro ao governo estadual significaria ampliar as chances contra o PT no Ceará e retirar um concorrente relevante da disputa presidencial. Sem ele, a oposição seria obrigada a reiniciar negociações, abrindo espaço para a ala que defende o apoio a Girão.

Outros nomes aparecem no horizonte. Capitão Wagner (União Brasil), que ficou em segundo lugar na eleição estadual de 2022, mantém proximidade com o eleitorado conservador, mas está bem posicionado na corrida pelo Senado. Roberto Cláudio segue como alternativa, embora sem o mesmo peso eleitoral atribuído a Ciro.

Em eventual candidatura presidencial, o ex-governador teria o desafio de transferir votos para um aliado no Ceará estratégia que não funcionou em 2022, quando terminou em quarto lugar na disputa nacional com apenas 3% dos votos.

Fonte: O Povo