Convenção PL: prazo para vice de Flávio Bolsonaro se estende em meio a negociações
O cenário político para as Eleições 2026 ganha novos contornos com a convenção nacional do Partido Liberal (PL), agendada para este sábado (25). Embora o evento deva oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, a expectativa é que o nome para a vaga de vice na chapa ainda não seja anunciado, prolongando as discussões e negociações nos bastidores.
A decisão de adiar a apresentação do companheiro de chapa reflete as intensas articulações em curso, especialmente com os partidos do chamado Centrão, que demonstram resistência em declarar apoio formal à candidatura bolsonarista. Este movimento estratégico do PL busca ampliar a base de alianças, crucial para a disputa presidencial.
Prazo para a escolha do vice na Convenção PL
O calendário eleitoral, estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determina que as convenções partidárias para a escolha de candidatos e deliberação sobre coligações devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. A formalização da chapa, incluindo o vice, precisa ser feita dentro deste período.
Conforme explica Clever Vasconcelos, professor de Direito Constitucional e Eleitoral do Ibmec, a escolha do vice é uma decisão que só pode ser tomada em convenção partidária. Caso o PL opte por um segundo evento para definir o nome, este poderá complementar ou até anular o primeiro, mas a deliberação final deve, obrigatoriamente, ser feita em uma convenção.
A legislação eleitoral, no entanto, prevê flexibilidade para substituições em chapas mesmo após o prazo final de registro de candidaturas, em 15 de agosto. A Lei das Eleições, de 1997, permite alterações até 20 dias antes do pleito em situações como inelegibilidade, renúncia, falecimento ou indeferimento/cancelamento do registro do candidato.
Afastamento do Centrão e as negociações políticas
A indefinição sobre o vice foi confirmada pelo coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, já na segunda-feira (20). O adiamento é um indicativo das dificuldades em consolidar apoios, principalmente com os partidos do Centrão.
As principais legendas do Centrão, como a federação formada por União Brasil e PP, e o Republicanos, sinalizam uma tendência de neutralidade nas eleições de 2026. Esses partidos devem realizar suas próprias convenções no início de agosto, mantendo a indefinição sobre suas alianças.
O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, já havia negado ao Valor qualquer definição sobre apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo após reunião em Brasília para tratar de alianças nacionais e regionais. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também recusou o convite para compor a chapa ao Planalto.
O distanciamento do Centrão foi evidenciado ainda pela ausência de líderes como Ciro Nogueira e Antonio Rueda (União Brasil) em uma convenção estadual em São Paulo que contou com a presença do pré-candidato bolsonarista. No cenário estadual, Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa fluminense (Alerj), também perdeu o apoio dessas legendas, com o PP anunciando a saída de seu candidato a vice-governador em sua chapa.
Questionado sobre a indefinição, o PL não se manifestou até o momento, mantendo o suspense sobre a composição final da chapa.
Calendário eleitoral de 2026 e próximos passos
O cronograma do TSE é claro quanto às etapas do processo eleitoral. As datas cruciais são:
- 20 de julho a 5 de agosto: Período para convenções partidárias.
- 15 de agosto (até as 19h): Prazo final para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
- 16 de agosto: Início oficial da propaganda eleitoral.
- 4 de outubro: Data do primeiro turno das Eleições 2026.
- 25 de outubro: Data do segundo turno, se necessário.
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