Tencent assume controle majoritário da Manus após veto chinês à aquisição pela Meta

A gigante tecnológica chinesa Tencent está prestes a se tornar a principal acionista da Manus, uma proeminente desenvolvedora de inteligência artificial (IA), após uma intervenção decisiva de Pequim que bloqueou a aquisição da startup pela Meta Platforms, controladora do Facebook. A movimentação, revelada pelo “Nikkei Asia”, sublinha os crescentes esforços da China para garantir o controle doméstico sobre tecnologias estratégicas, especialmente no campo da IA.

Este desdobramento marca uma reviravolta significativa em um acordo que havia sido selado em dezembro do ano passado, quando a Meta adquiriu a Manus por aproximadamente US$ 2 bilhões. No entanto, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China interveio em abril, exigindo a anulação da transação. Em resposta, a Manus anunciou na última terça-feira o encerramento de seus laços com a Meta, abrindo caminho para a entrada da Tencent.

Intervenção Governamental e a Reversão do Acordo

A decisão de Pequim de anular a aquisição da Manus pela Meta reflete uma postura cada vez mais rigorosa em relação à transferência de tecnologia e à segurança nacional. A Meta Platforms, buscando fortalecer seus negócios de IA, havia visto na Manus um ativo valioso. Contudo, a preocupação do governo chinês com possíveis vazamentos de tecnologia, dado que a Manus, embora com sede em Singapura, foi fundada na China e possui executivos e diretores chineses, além de ter utilizado dados chineses no desenvolvimento de seus modelos, foi determinante para a intervenção.

A anulação do acordo não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia nacional mais ampla da China para proteger seus avanços em inteligência artificial. Em julho, novas regulamentações foram implementadas, exigindo revisão governamental para qualquer transferência internacional de tecnologias consideradas sensíveis à segurança nacional, reforçando a soberania tecnológica do país.

Tencent Lidera Novo Consórcio de Acionistas

Com a saída da Meta, a Tencent, em parceria com as empresas de capital de risco chinesas HSG e ZhenFund, assumirá a participação na Manus. O valor total da nova transação deverá ser equivalente ao montante pago inicialmente pela Meta, cerca de US$ 2 bilhões. A notícia da aquisição pela Tencent foi amplamente divulgada pela mídia chinesa, incluindo o influente “Caixin”, embora a Tencent não tenha emitido um comunicado oficial imediato.

Este movimento posiciona a Tencent como a principal acionista de uma das startups de IA mais promissoras da China, consolidando ainda mais seu papel no cenário tecnológico global e reforçando a capacidade do país de manter talentos e inovações dentro de suas fronteiras.

A Ascensão da Manus e seu Valor Estratégico

A Manus, desenvolvedora de IA agética, ganhou destaque no ano passado com o lançamento de seu modelo de baixo custo e alto desempenho, sendo aclamada como a “segunda DeepSeek”. Sua tecnologia é considerada crucial para o avanço da inteligência artificial, um pilar fundamental da estratégia nacional da China. Apesar de ter transferido sua sede para Singapura, a empresa mantém fortes laços com a China, o que intensificou as preocupações de Pequim sobre a propriedade estrangeira.

Segundo o “China Business Daily”, a Manus registrou uma receita recorrente anual (ARR) entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões em junho, um aumento significativo em comparação com os US$ 100 milhões de ARR no momento da aquisição pela Meta. Embora esse crescimento possa sugerir que a Tencent e seus parceiros estão adquirindo a participação a um preço relativamente baixo, o relatório também indicou que parte dessa receita foi impulsionada pelo sistema de publicidade da Meta, destacando a interconexão do ecossistema tecnológico.

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